Atleta ucraniano desclassificado da Olimpíada de Inverno diz que recebeu ameaças de russos e acusa COI de 'escalar situação'<div>Atleta ucraniano desclassificado da Olimpíada de Inverno diz que recebeu ameaças de russos e acusa COI de 'escalar situação'</div>
Entenda o caso do atleta desclassificado da Olimpíada de Inverno por causa do capacete
O atleta ucraniano Vladislav Heraskevych, desclassificado das Olimpíadas de Inverno por querer competir utilizando um capacete com imagens de compatriotas mortos na guerra da Ucrânia, afirmou nesta sexta-feira (13) que recebeu ameaças de russos e acusou o Comitê Olímpico Internacional (COI) de “escalar” a situação.
Heraskevych foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 na quinta-feira (12). Ele se recusou a acatar proibição do COI, que não permite manifestações políticas no eventos. (Leia mais abaixo)
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O atleta ucraniano, que competiria na categoria “skeleton” —em que o competidor desce um circuito de bruços sobre um trenó—, afirmou a jornalistas que recebeu ameaças de russos por conta de seu capacete, culpa das ações do COI, segundo ele.
Heraskevych compareceu nesta sexta-feira a um hotel em Milão onde a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) deve emitir uma decisão sobre se o atleta ucraniano poderá competir nas Olimpíadas de Inverno. A corte é o órgão máximo do esporte e pode reverter a decisão do COI.
Atleta ucraniano Vladislav Heraskevych, desclassificado das Olimpíadas de Inverno por querer competir utilizando capacete com homenagem a vítimas na guerra da Ucrânia, fala com jornalistas antes da decisão da Corte Arbitral do Esporte em 13 de fevereiro de 2026.
REUTERS/Alessandro Garofalo
O atleta afirmou estar confiante por uma decisão favorável do CAS, porém ele disse acreditar que será impedido de competir independentemente do resultado da audiência. Mesmo assim, ele afirmou não ter arrependimentos e que, por conta de sua suspensão, o COI tornou os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina em uma “máquina de propaganda russa”.
“Acredito que não violei nenhuma regra, portanto não deveria ser suspenso. Eu deveria estar hoje participando dos Jogos Olímpicos, fazendo parte da competição, e não de uma audiência. Então, seguimos lutando pela nossa verdade”, afirmou Heraskevych.
A presidente do COI, Kristy Coventry, afirmou nesta sexta-feira que é a favor da liberdade de expressão nos Jogos Olímpicos, porém defendeu a decisão tomada pela instituição de suspender Heraskevych.
Desclassificado por homenagens em capacete
Vladyslav Heraskevych usa capacete com atletas ucranianos mortos na guerra durante treino nas Olimpíadas
REUTERS/Athit Perawongmetha
Em um comunicado, a entidade internacional afirmou que o atleta “não poderá participar” nos Jogos Olímpicos de Inverno “após se recusar a cumprir as diretrizes do COI sobre a expressão dos atletas”.
Na terça-feira (10), o COI havia sugerido, como medida excepcional, que Heraskevych usasse uma braçadeira preta no lugar do capacete com imagens.
“Esta manhã, em sua chegada às instalações da competição, Heraskevych se reuniu com a presidente do COI, Kirsty Coventry, que explicou pela última vez a posição do COI. Como nas reuniões anteriores, ele se recusou a mudar a sua postura”, afirmou a entidade no comunicado.
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Diante disso, os juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) decidiram pela desclassificação, com base no regulamento que proíbe equipamentos fora do padrão aprovado.
“O COI decidiu por isso, com pesar, retirar a credencial para os Jogos Olímpicos de 2026. Apesar das muitas conversas e discussões presenciais com Heraskevych (…) não quis chegar a um ponto de acordo”, acrescentou o COI.
Nesta sexta-feira (12), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky reagiu à decisão do COI de desclassificar Heraskevych:
“O esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores”, disse Zelesnsky em uma publicação no X.
‘O preço da nossa dignidade’
Atleta ucraniano impedido de usar capacete com homenagem a mortos na guerra
Em uma publicação na rede social X, Heraskevych defendeu seu ponto de vista.
“Este é o preço da nossa dignidade”, afirmou.
O chefe da diplomacia ucraniana também criticou o Comitê Olímpico Internacional.
“O COI vetou não apenas o atleta ucraniano, e sim a sua própria reputação. As gerações futuras vão citar isto como um momento de vergonha”, escreveu nas redes sociais o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga.
Heraskevych havia participado dos treinos na segunda e na quarta-feira usando um “capacete memorial”, como chamou sua equipe: um modelo cinza com imagens de atletas ucranianos mortos na guerra. Zelensky elogiou a iniciativa.
“O capacete traz os rostos de nossos atletas assassinados pela Rússia: o patinador artístico Dmytro Sharpar, morto em combate perto de Bakhmut; o biatleta Yevhen Malyshev, de 19 anos, morto perto de Kharkiv; e outros esportistas ucranianos cujas vidas foram interrompidas pela guerra”, escreveu Zelensky na segunda-feira, no Telegram.
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By Marsescritor

MARSESCRITOR tem formação em Letras, é também escritor com 10 livros publicados.