Fraude milionária na bilheteria do Museu do Louvre leva 9 pessoas à prisão; funcionários são suspeitos de integrar redeFraude milionária na bilheteria do Museu do Louvre leva 9 pessoas à prisão; funcionários são suspeitos de integrar rede
O Louvre, em Paris, é o museu mais visitado do mundo. Foto de arquivo de 17 de novembro de 2025
REUTERS – Abdul Saboor
Nove pessoas foram detidas sob suspeita de integrar um esquema de fraude na venda de ingressos do Museu do Louvre e do Palácio de Versalhes, informou o Ministério Público de Paris. O prejuízo estimado é superior a 10 milhões de euros (R$ 61,7 milhões). 
Entre os suspeitos estão dois funcionários do Louvre, guias turísticos e uma pessoa apontada como possível organizadora da rede.
Meses antes, o Louvre já havia sido alvo de um roubo de grande repercussão, que envolveu joias da coroa francesa avaliadas em € 88 milhões (R$ 543,8 milhões). A fraude na bilheteria, embora discreta e menos espetacular, revelou um volume expressivo de recursos desviados ao longo de uma década, segundo as primeiras apurações.
“Com base nos elementos já identificados, suspeita-se da existência de uma rede envolvida em uma fraude de grande escala”, afirmou uma porta-voz do museu.
A investigação foi aberta no fim de 2024, após uma denúncia feita pelo próprio Louvre. Nove pessoas foram presas a terça-feira (10), de acordo com o Ministério Público de Paris.
Os detidos são suspeitos de participar de um esquema de fraude na bilheteria que causou prejuízo tanto ao Louvre quanto ao Palácio de Versalhes, com o impacto financeiro maior para o museu parisiense.
Até agora, a Justiça apreendeu mais de € 957 mil em espécie (R$ 5,9 milhões) e outros € 486 mil (R$ 3 milhões) distribuídos em diversas contas bancárias.
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Imóveis em Dubai
Os implicados são suspeitos de investir parte do dinheiro em imóveis na França e em Dubai, segundo o Ministério Público de Paris.
A investigação começou quando o museu alertou a subdireção responsável pelo combate à imigração irregular sobre um casal de guias chineses que atuava em suas dependências. Segundo o MP, eles facilitavam a entrada de grupos de turistas chineses fraudando a bilheteria: reutilizavam o mesmo ingresso para múltiplos visitantes. Posteriormente, outros guias também passaram a ser investigados por práticas semelhantes.
Um dispositivo de vigilância e escutas autorizadas confirmou as suspeitas, sobretudo o uso reiterado de ingressos reaproveitados.
Corrupção e lavagem de dinheiro
As investigações também levantaram suspeitas de possíveis cúmplices entre funcionários do Louvre, que teriam recebido dinheiro dos guias em troca de deixarem de realizar fiscalizações, declarou o Ministério Público de Paris.
Em 2 de junho de 2025, o MP abriu uma investigação judicial por “fraude, lavagem de dinheiro e corrupção pública ativa e passiva em organização criminosa”, além de auxílio à entrada e à permanência irregular de estrangeiros e uso de documento administrativo falso.
A rede teria permitido a entrada de até 20 grupos por dia ao longo de uma década, segundo os investigadores.
De acordo com a porta-voz do Louvre, o museu enfrenta um aumento e uma diversificação das fraudes na bilheteria e, em resposta, implementou um plano estruturado de combate às irregularidades, em parceria com suas equipes e com a polícia.
Com AFP
Entrada do Museu do Louvre, em Paris, em foto de 12 de janeiro de 2026
MARTIN LELIEVRE / AFP
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By Marsescritor

MARSESCRITOR tem formação em Letras, é também escritor com 10 livros publicados.