Veja imagens das ilhas Chagos e da base militar de Diego Garcia, no Oceano Índico
Israel anunciou no sábado (21) que o Irã tem mísseis capazes de atingir alvos a até 4.000 km de distância, o que permitiria ataques contra grandes cidades da Europa. A alegação foi feita após um ataque contra uma base militar em Diego Garcia, no Oceano Índico, a cerca de 3.800 km do território iraniano.
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▶️ Contexto: Diego Garcia é uma ilha remota controlada pelo Reino Unido e que abriga uma base militar compartilhada com os Estados Unidos. O governo britânico autorizou o uso do local por forças norte-americanas para atacar lançadores de mísseis iranianos que miram navios no Estreito de Ormuz.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, o Irã lançou dois mísseis contra a base de Diego Garcia na manhã de sexta-feira (20).
Um dos projéteis falhou no trajeto, enquanto o outro foi interceptado por um navio de guerra dos Estados Unidos.
A agência semiestatal Mehr confirmou que o Irã lançou um ataque “que demonstra que o alcance dos mísseis iranianos vai além do que o inimigo imaginava”.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Reino Unido colocava a vida de britânicos em risco ao permitir o uso de bases para ataques.
Até então, era de conhecimento público que o Irã tinha mísseis com alcance de, pelo menos, 2.000 km. Poucos dias antes do início da guerra, Araghchi disse em entrevista que esse era o limite imposto pelo governo iraniano.
🤔 Mas, afinal, o Irã seria capaz de atingir alvos na Europa? Na teoria, sim.
De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank com sede nos Estados Unidos, análises indicam que os mísseis iranianos com alcance de 2.000 km teriam a capacidade de atingir alvos em países europeus como Bulgária, Romênia, Ucrânia e Grécia.
Um míssil com alcance de 4.000 km mudaria esse cenário. Com um armamento desse tipo, o Irã poderia mirar grandes centros como Berlim, Londres, Roma e Paris, além de quase todas as demais capitais europeias.
🔎 Por outro lado, Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, afirma que ter esse tipo de armamento não significa, necessariamente, que um ataque contra a Europa esteja nos planos.
Segundo o professor, neste momento, não há indícios de que o Irã pretenda atacar território europeu no contexto da guerra contra Israel e os Estados Unidos. Ainda assim, a possibilidade de Teerã possuir um míssil com alcance maior acende um alerta no continente.
“O simples fato de o Irã ter essa possibilidade, por mais remota que seja, já tem consequências profundas. Isso faz a Europa olhar com ainda mais cautela para a guerra no Oriente Médio”, diz.
Ataque de mísseis iranianos contra base militar no Oceano Índico e gera alerta na Europa
Arte g1
O Irã tem mesmo um míssil mais poderoso?
Em 2015, o Irã revelou ter um míssil conhecido como Soumar, que poderia atingir alvos a até 3.000 km de distância. No entanto, segundo o CSIS, há dúvidas sobre esse número. A avaliação é de que o alcance real provavelmente ficaria abaixo de 2.500 km.
O país também possui mísseis balísticos de curto e médio alcance, com modelos que variam entre 300 km e 2.000 km.
Sistemas como o Sejjil e o Shahab-3 têm alcance acima de 1.000 km e podem atingir Israel e outros países do Oriente Médio.
Nos últimos anos, analistas apontavam que o Irã poderia estar desenvolvendo tecnologias para construir mísseis capazes de alcançar distâncias ainda maiores, chegando a 5.000 km, mas nunca houve confirmação oficial. Ainda assim, autoridades levantavam a possibilidade de avanços nesse sentido.
No início de fevereiro, durante visita à Casa Branca, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse ao presidente dos EUA, Donald Trump, que o Irã havia avançado em programas balísticos. As informações foram obtidas pela agência Reuters com base em fontes com conhecimento da reunião.
No encontro, Netanyahu afirmou que havia a possibilidade de o Irã, no futuro, conseguir atingir o território dos EUA.
Três semanas depois, às vésperas do ataque ao Irã, Trump disse em discurso no Congresso que o país tinha mísseis capazes de ameaçar a Europa e trabalhava para alcançar os EUA.
Sobre o episódio envolvendo Diego Garcia, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou no domingo (22) que ainda não havia confirmação de que o Irã teria um míssil capaz de atingir alvos a 4.000 km de distância, mas que a possibilidade existe.
“O que sabemos com certeza é que eles estão muito perto de ter essa capacidade. No caso da base britânica em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já têm essa capacidade”, afirmou em entrevista à CBS News.
O próprio Irã tem dado sinais conflitantes sobre a posse de um míssil com alcance de 4.000 km. Após as declarações do chanceler iraniano sobre vidas britânicas em risco e da reportagem da agência Mehr sobre o alcance dos mísseis, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, adotou outro tom.
Na segunda-feira (23), ao comentar as falas de Mark Rutte em uma rede social, Baqaei afirmou que o secretário-geral da Otan se recusou a apoiar a “desinformação” de Israel sobre os mísseis iranianos e que o “mundo está completamente exausto dessas histórias batidas e desacreditadas”.
🔎 O professor Maurício Santoro afirma que, se confirmada a posse de um míssil com alcance de 4.000 km, isso indicaria um avanço significativo na capacidade iraniana. Ainda assim, há dúvidas sobre o estágio desse armamento.
“Nós não sabemos ainda quantos desses mísseis de longo alcance o Irã tem neste momento. Talvez seja um arsenal muito pequeno, talvez sejam ainda protótipos, e a tecnologia ainda precise ser aprimorada”, diz.
Teste de míssil do Irã
Reprodução/Ministério de Defesa do Irã/Via AFP
Alerta na Europa
O ataque contra a base em Diego Garcia gerou alertas na Europa, principalmente no Reino Unido. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, tentou acalmar os ânimos e afirmou que não há indicação de que o Irã pretenda atacar o país.
“Realizamos avaliações o tempo todo para garantir nossa segurança, e não há nenhuma análise que indique que estamos sendo alvos dessa forma”, disse.
Starmer afirmou ainda que a prioridade do governo é proteger interesses britânicos e reduzir a tensão na região.
🔎 O professor Maurício Santoro afirma que, no momento, não há sentido político para um ataque do Irã contra a Europa. Mesmo assim, ele explica que o continente teria boas chances de se defender em caso de uma ofensiva.
“Sobretudo se fossem ataques com poucos mísseis, um ou dois, como o Irã fez contra Diego Garcia, haveria uma possibilidade bastante grande de que os países europeus conseguissem interceptar e impedir que esses mísseis causassem danos”, afirma.
Segundo o professor, até agora o Irã tem apostado em uma estratégia de menor custo, com uso de minas marítimas, drones e foguetes para pressionar o comércio internacional e impactar o preço do petróleo.
“A estratégia iraniana tem sido atacar países vizinhos, inclusive alvos civis, como hotéis e infraestrutura turística, para mostrar aos países do Golfo que uma guerra prolongada é ruim não só para o Irã, mas também para eles”, diz.
“Essa estratégia de baixo custo tem se mostrado mais importante para o Irã do que tecnologias mais ambiciosas, como os mísseis balísticos.”
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Israel anunciou no sábado (21) que o Irã tem mísseis capazes de atingir alvos a até 4.000 km de distância, o que permitiria ataques contra grandes cidades da Europa. A alegação foi feita após um ataque contra uma base militar em Diego Garcia, no Oceano Índico, a cerca de 3.800 km do território iraniano.
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Segundo o jornal The Wall Street Journal, o Irã lançou dois mísseis contra a base de Diego Garcia na manhã de sexta-feira (20).
Um dos projéteis falhou no trajeto, enquanto o outro foi interceptado por um navio de guerra dos Estados Unidos.
A agência semiestatal Mehr confirmou que o Irã lançou um ataque “que demonstra que o alcance dos mísseis iranianos vai além do que o inimigo imaginava”.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Reino Unido colocava a vida de britânicos em risco ao permitir o uso de bases para ataques.
Até então, era de conhecimento público que o Irã tinha mísseis com alcance de, pelo menos, 2.000 km. Poucos dias antes do início da guerra, Araghchi disse em entrevista que esse era o limite imposto pelo governo iraniano.
🤔 Mas, afinal, o Irã seria capaz de atingir alvos na Europa? Na teoria, sim.
De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank com sede nos Estados Unidos, análises indicam que os mísseis iranianos com alcance de 2.000 km teriam a capacidade de atingir alvos em países europeus como Bulgária, Romênia, Ucrânia e Grécia.
Um míssil com alcance de 4.000 km mudaria esse cenário. Com um armamento desse tipo, o Irã poderia mirar grandes centros como Berlim, Londres, Roma e Paris, além de quase todas as demais capitais europeias.
🔎 Por outro lado, Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, afirma que ter esse tipo de armamento não significa, necessariamente, que um ataque contra a Europa esteja nos planos.
Segundo o professor, neste momento, não há indícios de que o Irã pretenda atacar território europeu no contexto da guerra contra Israel e os Estados Unidos. Ainda assim, a possibilidade de Teerã possuir um míssil com alcance maior acende um alerta no continente.
“O simples fato de o Irã ter essa possibilidade, por mais remota que seja, já tem consequências profundas. Isso faz a Europa olhar com ainda mais cautela para a guerra no Oriente Médio”, diz.
Ataque de mísseis iranianos contra base militar no Oceano Índico e gera alerta na Europa
Arte g1
O Irã tem mesmo um míssil mais poderoso?
Em 2015, o Irã revelou ter um míssil conhecido como Soumar, que poderia atingir alvos a até 3.000 km de distância. No entanto, segundo o CSIS, há dúvidas sobre esse número. A avaliação é de que o alcance real provavelmente ficaria abaixo de 2.500 km.
O país também possui mísseis balísticos de curto e médio alcance, com modelos que variam entre 300 km e 2.000 km.
Sistemas como o Sejjil e o Shahab-3 têm alcance acima de 1.000 km e podem atingir Israel e outros países do Oriente Médio.
Nos últimos anos, analistas apontavam que o Irã poderia estar desenvolvendo tecnologias para construir mísseis capazes de alcançar distâncias ainda maiores, chegando a 5.000 km, mas nunca houve confirmação oficial. Ainda assim, autoridades levantavam a possibilidade de avanços nesse sentido.
No início de fevereiro, durante visita à Casa Branca, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse ao presidente dos EUA, Donald Trump, que o Irã havia avançado em programas balísticos. As informações foram obtidas pela agência Reuters com base em fontes com conhecimento da reunião.
No encontro, Netanyahu afirmou que havia a possibilidade de o Irã, no futuro, conseguir atingir o território dos EUA.
Três semanas depois, às vésperas do ataque ao Irã, Trump disse em discurso no Congresso que o país tinha mísseis capazes de ameaçar a Europa e trabalhava para alcançar os EUA.
Sobre o episódio envolvendo Diego Garcia, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou no domingo (22) que ainda não havia confirmação de que o Irã teria um míssil capaz de atingir alvos a 4.000 km de distância, mas que a possibilidade existe.
“O que sabemos com certeza é que eles estão muito perto de ter essa capacidade. No caso da base britânica em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já têm essa capacidade”, afirmou em entrevista à CBS News.
O próprio Irã tem dado sinais conflitantes sobre a posse de um míssil com alcance de 4.000 km. Após as declarações do chanceler iraniano sobre vidas britânicas em risco e da reportagem da agência Mehr sobre o alcance dos mísseis, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, adotou outro tom.
Na segunda-feira (23), ao comentar as falas de Mark Rutte em uma rede social, Baqaei afirmou que o secretário-geral da Otan se recusou a apoiar a “desinformação” de Israel sobre os mísseis iranianos e que o “mundo está completamente exausto dessas histórias batidas e desacreditadas”.
🔎 O professor Maurício Santoro afirma que, se confirmada a posse de um míssil com alcance de 4.000 km, isso indicaria um avanço significativo na capacidade iraniana. Ainda assim, há dúvidas sobre o estágio desse armamento.
“Nós não sabemos ainda quantos desses mísseis de longo alcance o Irã tem neste momento. Talvez seja um arsenal muito pequeno, talvez sejam ainda protótipos, e a tecnologia ainda precise ser aprimorada”, diz.
Teste de míssil do Irã
Reprodução/Ministério de Defesa do Irã/Via AFP
Alerta na Europa
O ataque contra a base em Diego Garcia gerou alertas na Europa, principalmente no Reino Unido. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, tentou acalmar os ânimos e afirmou que não há indicação de que o Irã pretenda atacar o país.
“Realizamos avaliações o tempo todo para garantir nossa segurança, e não há nenhuma análise que indique que estamos sendo alvos dessa forma”, disse.
Starmer afirmou ainda que a prioridade do governo é proteger interesses britânicos e reduzir a tensão na região.
🔎 O professor Maurício Santoro afirma que, no momento, não há sentido político para um ataque do Irã contra a Europa. Mesmo assim, ele explica que o continente teria boas chances de se defender em caso de uma ofensiva.
“Sobretudo se fossem ataques com poucos mísseis, um ou dois, como o Irã fez contra Diego Garcia, haveria uma possibilidade bastante grande de que os países europeus conseguissem interceptar e impedir que esses mísseis causassem danos”, afirma.
Segundo o professor, até agora o Irã tem apostado em uma estratégia de menor custo, com uso de minas marítimas, drones e foguetes para pressionar o comércio internacional e impactar o preço do petróleo.
“A estratégia iraniana tem sido atacar países vizinhos, inclusive alvos civis, como hotéis e infraestrutura turística, para mostrar aos países do Golfo que uma guerra prolongada é ruim não só para o Irã, mas também para eles”, diz.
“Essa estratégia de baixo custo tem se mostrado mais importante para o Irã do que tecnologias mais ambiciosas, como os mísseis balísticos.”
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