Preço dos imóveis em queda e procura cada vez maior por lotes em cemitérios fizeram com que muitos chineses passassem a guardar cinzas de parentes em apartamentos
Divulgação Unsplash
Com túmulos em cemitérios cada vez mais caros e disputados na China — ainda mais por se tratar do país mais populoso do mundo — vários chineses têm comprado imóveis encalhados para guardar urnas funerárias de parentes. Agora, o governo quer acabar com a prática.
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A maior parte dos “apartamentos de cinzas” está situada em complexos residenciais – prédios altos com muitas unidades. Eles geralmente têm as janelas lacradas ou permanecem com as cortinas fechadas e são usados como salas de rituais, com velas, luzes vermelhas e urnas alinhadas por geração.
Esses locais podem ser mais baratos do que um jazigo em cemitério público, além de dar às famílias mais controle sobre os processos funerários, segundo a mídia chinesa.
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A proibição vai entrar em vigor nesta semana e veta o uso de “imóveis residenciais especificamente para o propósito de guardar restos mortais cremados” e o enterro de cadáveres ou a construção de túmulos em áreas que não sejam designadas para essa finalidade, como cemitérios públicos.
A legislação passa a valer poucos dias antes do Festival de Qingming, também conhecido como Dia da Limpeza dos Túmulos, quando as famílias tradicionalmente visitam os jazigos de parentes para arrumá-los e fazer oferendas.
Limites difusos
Com o envelhecimento da população e a taxa de mortalidade superando a de nascimentos na China, a inflação desses serviços se intensificou. A rápida urbanização no país também pressiona os custos dos limitados lotes de cemitério nas cidades.
Em 2020, os funerais custaram quase metade do salário médio anual do país, de acordo com dados da seguradora britânica SunLife divulgados pela agência de notícias AFP. Depois do Japão, as despesas funerárias da China são as mais altas do mundo.
LEIA MAIS: China diz que quer fortalecer cooperação econômica e comercial com os EUA
Em contrapartida, o preço dos imóveis caiu cerca de 40% entre 2021 e 2025, segundo reportagem do The Guardian. Uma crise de longa data no setor imobiliário e uma campanha de Xi Jinping para conter a especulação excessiva contribuíram para esse cenário.
Outro fator que impulsionou os “apartamentos de cinzas” é que os contratos de arrendamento de lotes de cemitério na China são de 20 anos, enquanto os imóveis residenciais têm direitos de uso de 70 anos garantidos pelo governo.
Cemitério na China. País enfrenta falta de espaço para novos enterros
Zhao Qirui/Costfoto/picture alliance
A prática é “problemática” para as autoridades chinesas, disse Xinyi Wu, doutoranda em antropologia na Universidade da Califórnia à AFP, pois “confunde a fronteira entre os espaços para os vivos e os espaços para os mortos, o que é sensível do ponto de vista administrativo e cultural”.
Além de proibir os “apartamentos de cinzas”, o órgão regulador do mercado chinês anunciou nesta terça-feira (31) novas regras para combater fraudes e a falta de transparência nos preços dos funerais.
Em novembro de 2025, em outro exemplo das crescentes dificuldades com cemitérios lotados, autoridades regionais do sudoeste da China impuseram uma ordem de cremação obrigatória dos mortos.
A medida gerou protestos da população miao, uma das principais minorias étnicas da província de Guizhou, e cujos membros interpretam a cremação como um gesto de desrespeito à pessoa falecida, uma vez que a destruição do corpo representaria a sua desconexão da família e da ancestralidade.
Divulgação Unsplash
Com túmulos em cemitérios cada vez mais caros e disputados na China — ainda mais por se tratar do país mais populoso do mundo — vários chineses têm comprado imóveis encalhados para guardar urnas funerárias de parentes. Agora, o governo quer acabar com a prática.
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A maior parte dos “apartamentos de cinzas” está situada em complexos residenciais – prédios altos com muitas unidades. Eles geralmente têm as janelas lacradas ou permanecem com as cortinas fechadas e são usados como salas de rituais, com velas, luzes vermelhas e urnas alinhadas por geração.
Esses locais podem ser mais baratos do que um jazigo em cemitério público, além de dar às famílias mais controle sobre os processos funerários, segundo a mídia chinesa.
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A proibição vai entrar em vigor nesta semana e veta o uso de “imóveis residenciais especificamente para o propósito de guardar restos mortais cremados” e o enterro de cadáveres ou a construção de túmulos em áreas que não sejam designadas para essa finalidade, como cemitérios públicos.
A legislação passa a valer poucos dias antes do Festival de Qingming, também conhecido como Dia da Limpeza dos Túmulos, quando as famílias tradicionalmente visitam os jazigos de parentes para arrumá-los e fazer oferendas.
Limites difusos
Com o envelhecimento da população e a taxa de mortalidade superando a de nascimentos na China, a inflação desses serviços se intensificou. A rápida urbanização no país também pressiona os custos dos limitados lotes de cemitério nas cidades.
Em 2020, os funerais custaram quase metade do salário médio anual do país, de acordo com dados da seguradora britânica SunLife divulgados pela agência de notícias AFP. Depois do Japão, as despesas funerárias da China são as mais altas do mundo.
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Em contrapartida, o preço dos imóveis caiu cerca de 40% entre 2021 e 2025, segundo reportagem do The Guardian. Uma crise de longa data no setor imobiliário e uma campanha de Xi Jinping para conter a especulação excessiva contribuíram para esse cenário.
Outro fator que impulsionou os “apartamentos de cinzas” é que os contratos de arrendamento de lotes de cemitério na China são de 20 anos, enquanto os imóveis residenciais têm direitos de uso de 70 anos garantidos pelo governo.
Cemitério na China. País enfrenta falta de espaço para novos enterros
Zhao Qirui/Costfoto/picture alliance
A prática é “problemática” para as autoridades chinesas, disse Xinyi Wu, doutoranda em antropologia na Universidade da Califórnia à AFP, pois “confunde a fronteira entre os espaços para os vivos e os espaços para os mortos, o que é sensível do ponto de vista administrativo e cultural”.
Além de proibir os “apartamentos de cinzas”, o órgão regulador do mercado chinês anunciou nesta terça-feira (31) novas regras para combater fraudes e a falta de transparência nos preços dos funerais.
Em novembro de 2025, em outro exemplo das crescentes dificuldades com cemitérios lotados, autoridades regionais do sudoeste da China impuseram uma ordem de cremação obrigatória dos mortos.
A medida gerou protestos da população miao, uma das principais minorias étnicas da província de Guizhou, e cujos membros interpretam a cremação como um gesto de desrespeito à pessoa falecida, uma vez que a destruição do corpo representaria a sua desconexão da família e da ancestralidade.

