É #FATO: Datas do início de Quaresma, Ramadã e Ano-Novo Chinês se alinham neste ano pela primeira vez desde 1863
Reprodução/TV Vanguarda/Aziz Taher/Reuters
Circulam nas redes sociais posts afirmando que, neste ano, o início da Quaresma, do Ramadã e do Ano-Novo Chinês se “alinharam” pela primeira vez desde 1863. É #FATO.
selo fato
g1
▶️ O que dizem os posts?
Publicados nesta quarta-feira (18), os posts afirmam que, neste ano, a Quaresma (período de 40 dias, entre o Carnaval e a Páscoa, celebrado por católicos), o Ramadã (mês sagrado da religião islâmica) e o Ano-Novo Chinês (feriado que tem a Lua como referência e associado ao budismo) começaram no mesmo período pela primeira vez desde 1863.
“HISTÓRICO! Ramadã, Quaresma e Ano Novo Lunar acontecem no mesmo período pela primeira vez desde 1863”, diz uma das publicações.
✅ Por que é fato?
O Fato ou Fake compilou, em uma tabela, as datas de início das três tradições desde o século 19. (Para determinar o início do Ramadã antes de 1937, foi necessário converter o calendário islâmico tabular para o gregoriano.) Em seguida, foram identificados os anos em que as celebrações coincidiram ou ocorreram com até um dia de diferença. O resultado apontou que isso ocorreu apenas em 1863 e 2026.
A Quaresma começou nesta quarta-feira (18), um dia após o fim do Carnaval. Trata-se de um período de 40 dias celebrado por católicos que antecede a celebração da Páscoa, marcado por práticas como jejum, generosidade e oração.
O primeiro dia do Ramadã, mês sagrado na religião islâmica, também foi quarta. Segundo a tradição, este é o mês em que Deus começou a revelar o “Alcorão” ao profeta Maomé. A celebração também incentiva o jejum, a reflexão e a realização de obras de caridade.
Já o Ano-Novo Chinês começou nesta terça-feira (17). A tradição segue o calendário lunar e pode durar entre 354 e 355 dias, tempo aproximado de 12 ciclos da Lua.
🗓️ Calendários em sincronia ‘inspiram reflexão’
Além da coincidência de calendários, o alinhamento também é visto por representantes religiosos como um momento de reflexão sobre respeito, harmonia e semelhanças entre as tradições.
O Ano-Novo Chinês, feriado mais importante da China e também conhecido como Ano Novo Lunar e Festival da Primavera, é comemorado em outros países asiáticos, como Vietnã e Coreia do Sul.
Pelo calendário chinês, que tem a Lua como referência, o ano que começa agora é o 4274, denominado como o Ano do Cavalo de Fogo. O calendário chinês adota um ciclo de 12 anos em que cada um é representado por um animal, nesta ordem: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Cobra, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco.
A relação com os animais surgiu com o budismo. Segundo a tradição, Buda convocou animais para definir o calendário, mas só 12 compareceram – eles passaram a representar os anos na ordem em que chegaram.
O Ano do Cavalo de Fogo simboliza “paixão, ímpeto, rápidas transformações e a coexistência de grandes desafios”, explica a abadessa Miao You, do Templo Zulai, maior templo budista da América Latina.
Essa coincidência de datas é um lembrete de harmonia entre as comunidades, aponta a monja Miao: “Não importa o tipo de calendário adotado pelos povos ou etnia, todos podem celebrar juntos, respeitando uns aos outros. Acreditamos em coexistência em harmonia”.
Para Ali Zoghbi, presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), o momento evidencia a proximidade das práticas incentivadas nas tradições:
“É realmente motivo de reflexão aqui para todos nós, porque, no fundo, essas práticas das tradições religiosas reforçam alguns conceitos. A primeira delas é o valor do jejum como um instrumento de sensibilidade, para você poder entender a fome e se colocar no outro mais necessitado. É um caminho para o aprimoramento espiritual, que acaba também se complementando por reforçar a caridade”.
Os mesmos princípios também foram apontados pelo padre José Bizon, responsável pelo diálogo inter-religioso na Arquidiocese de São Paulo. Ele destacou que a coincidência de datas reforça as práticas humanitárias e o respeito mútuo entre o catolicismo, islamismo e budismo.
“O Ramadã tem alguns pontos essenciais e semelhantes, que é a oração, o jejum e a caridade. A Igreja Católica também prega isso, temos muito em comum. E quanto aos budistas, eu fui convidado para participar da abertura do Ano Chinês no Templo Zulai, temos um relacionamento muito bonito. Essa ordem monástica humanista também têm uma preocupação humanitária e social. Cada um tem seu calendário, cada um tem seu tempo litúrgico, e se respeita mutuamente”.
Ano Novo Chinês começa na terça; qual é o significado do cavalo, animal do ano
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Reprodução/TV Vanguarda/Aziz Taher/Reuters
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Publicados nesta quarta-feira (18), os posts afirmam que, neste ano, a Quaresma (período de 40 dias, entre o Carnaval e a Páscoa, celebrado por católicos), o Ramadã (mês sagrado da religião islâmica) e o Ano-Novo Chinês (feriado que tem a Lua como referência e associado ao budismo) começaram no mesmo período pela primeira vez desde 1863.
“HISTÓRICO! Ramadã, Quaresma e Ano Novo Lunar acontecem no mesmo período pela primeira vez desde 1863”, diz uma das publicações.
✅ Por que é fato?
O Fato ou Fake compilou, em uma tabela, as datas de início das três tradições desde o século 19. (Para determinar o início do Ramadã antes de 1937, foi necessário converter o calendário islâmico tabular para o gregoriano.) Em seguida, foram identificados os anos em que as celebrações coincidiram ou ocorreram com até um dia de diferença. O resultado apontou que isso ocorreu apenas em 1863 e 2026.
A Quaresma começou nesta quarta-feira (18), um dia após o fim do Carnaval. Trata-se de um período de 40 dias celebrado por católicos que antecede a celebração da Páscoa, marcado por práticas como jejum, generosidade e oração.
O primeiro dia do Ramadã, mês sagrado na religião islâmica, também foi quarta. Segundo a tradição, este é o mês em que Deus começou a revelar o “Alcorão” ao profeta Maomé. A celebração também incentiva o jejum, a reflexão e a realização de obras de caridade.
Já o Ano-Novo Chinês começou nesta terça-feira (17). A tradição segue o calendário lunar e pode durar entre 354 e 355 dias, tempo aproximado de 12 ciclos da Lua.
🗓️ Calendários em sincronia ‘inspiram reflexão’
Além da coincidência de calendários, o alinhamento também é visto por representantes religiosos como um momento de reflexão sobre respeito, harmonia e semelhanças entre as tradições.
O Ano-Novo Chinês, feriado mais importante da China e também conhecido como Ano Novo Lunar e Festival da Primavera, é comemorado em outros países asiáticos, como Vietnã e Coreia do Sul.
Pelo calendário chinês, que tem a Lua como referência, o ano que começa agora é o 4274, denominado como o Ano do Cavalo de Fogo. O calendário chinês adota um ciclo de 12 anos em que cada um é representado por um animal, nesta ordem: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Cobra, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco.
A relação com os animais surgiu com o budismo. Segundo a tradição, Buda convocou animais para definir o calendário, mas só 12 compareceram – eles passaram a representar os anos na ordem em que chegaram.
O Ano do Cavalo de Fogo simboliza “paixão, ímpeto, rápidas transformações e a coexistência de grandes desafios”, explica a abadessa Miao You, do Templo Zulai, maior templo budista da América Latina.
Essa coincidência de datas é um lembrete de harmonia entre as comunidades, aponta a monja Miao: “Não importa o tipo de calendário adotado pelos povos ou etnia, todos podem celebrar juntos, respeitando uns aos outros. Acreditamos em coexistência em harmonia”.
Para Ali Zoghbi, presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), o momento evidencia a proximidade das práticas incentivadas nas tradições:
“É realmente motivo de reflexão aqui para todos nós, porque, no fundo, essas práticas das tradições religiosas reforçam alguns conceitos. A primeira delas é o valor do jejum como um instrumento de sensibilidade, para você poder entender a fome e se colocar no outro mais necessitado. É um caminho para o aprimoramento espiritual, que acaba também se complementando por reforçar a caridade”.
Os mesmos princípios também foram apontados pelo padre José Bizon, responsável pelo diálogo inter-religioso na Arquidiocese de São Paulo. Ele destacou que a coincidência de datas reforça as práticas humanitárias e o respeito mútuo entre o catolicismo, islamismo e budismo.
“O Ramadã tem alguns pontos essenciais e semelhantes, que é a oração, o jejum e a caridade. A Igreja Católica também prega isso, temos muito em comum. E quanto aos budistas, eu fui convidado para participar da abertura do Ano Chinês no Templo Zulai, temos um relacionamento muito bonito. Essa ordem monástica humanista também têm uma preocupação humanitária e social. Cada um tem seu calendário, cada um tem seu tempo litúrgico, e se respeita mutuamente”.
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