Governo de Israel aprova plano de Netanyahu de ocupação em Gaza
O governo israelense de Benjamin Netanyahu recebeu críticas dentro e fora de Israel nesta sexta-feira (8) pelo novo plano de tomar o controle de toda a Faixa de Gaza, confirmado pelo premiê e aprovado por seu gabinete na quinta.
O gabinete de segurança e assuntos políticos de Israel anunciou ter aprovado um plano para ocupar a Cidade de Gaza, na região central do território palestino, que abriga cerca de um milhão de pessoas. O movimento, que inaugura nova investida para tomar o controle total de Gaza, levanta novas preocupações por um novo deslocamento em massa e agravamento da crise humanitária dos palestinos. (Leia mais abaixo)
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O governo do Reino Unido chamou a expansão da ofensiva israelense de “errada” e pediu para Israel reconsiderar imediatamente a decisão. A Dinamarca também pediu a “imediata reversão” da diretriz, e a Alemanha desautorizou quaisquer exportações de equipamento militares a Israel até novo aviso. Outros países que repudiaram a medida incluem a China, Turquia, Jordânia e Países Baixos —veja mais abaixo o que os países falaram.
“A decisão do governo israelense de intensificar ainda mais sua ofensiva em Gaza está errada, e pedimos que reconsidere imediatamente. A cada dia, a crise humanitária em Gaza piora e os reféns capturados pelo Hamas continuam sendo mantidos em condições terríveis e desumanas. Precisamos de um cessar-fogo agora”, afirmou o premiê britânico, Keir Starmer, em comunicado.
O chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, afirmou nesta sexta-feira que o novo plano de Israel causará mais mortes e sofrimento, e precisa ser “imediatamente interrompido”. Turk também mencionou que a decisão vai contra a decisão da Corte Internacional de Justiça, que determina o término da ocupação de Israel em Gaza o mais rápido possível.
O novo plano também gerou controvérsia dentro de Israel. Famílias de reféns e outros israelenses protestaram perto da sede do governo contra a nova medida e pediram o retorno imediato dos reféns que ainda estão sob poder do grupo terrorista Hamas em Gaza. Na capital Tel Aviv, protestos foram dispersados pela polícia com balas de borracha e bombas de efeito moral.
Parentes de reféns e outros israelenses protestam por um cessar-fogo imediato em Gaza com libertação dos reféns, em Tel Aviv, em 7 de agosto de 2025.
REUTERS/Ammar Awad
Ainda há cerca de 50 reféns israelenses no poder do Hamas, dos quais Israel estima que cerca de 20 estejam vivos.
Altos oficiais do Exército consideram arriscada a nova ofensiva e temem que resulte em muitas mortes e riscos para as tropas. O comandante das Forças Armadas, Eyal Zamir, disse se opor ao plano por representar um risco às vidas dos reféns israelenses em poder do Hamas. Segundo Zamir, as tropas estão exaustas e há o perigo delas ficarem “presas” em Gaza com a nova operação.
A discordância de opiniões gerou uma briga entre Netanyahu e Zamir, segundo a mídia israelense. O general também se irritou por conta do filho do premiê ter o acusado de tentar incitar um motim contra o governo, algo que o comandante nega. Em resposta, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército “cumprirá” todas as diretrizes enviadas pelo governo.
Expansão da ocupação em Gaza
Imagens mostram destruição e crise da fome na Cidade de Gaza
Reuters e AFP
Netanyahu confirmou na quinta-feira, em entrevista à TV americana “Fox News” planos de ocupar a totalidade da Faixa de Gaza ao final da guerra, mas disse não ter a intenção de anexar o território, e sim estabelecer um “perímetro de segurança”.
Segundo a mídia israelense, a nova investida terá duração prevista de quatro a cinco meses e terá como foco conquistar “novas e vastas” áreas da Cidade de Gaza, com ordens de evacuação à população local e, em seguida, operações militares com tanques de guerra em busca do grupo terrorista Hamas, em locais incluindo campos de tendas de refugiados pela guerra.
A expansão da ofensiva contra o Hamas em Gaza, que já conta com uma operação terrestre robusta desde outubro de 2023 e que se intensificou ao longo do tempo, ocorre após a divulgação de vídeos de reféns israelenses em estado esquelético, o que enfureceu o governo israelense. Um dos reféns afirmou em vídeo “estar à beira da morte”, e outro apareceu cavando sua própria cova.
Em comunicado na quinta-feira (sexta-feira, no horário local), o gabinete de Benjamin Netanyahu afirmou ter aprovado os planos do primeiro-ministro porque “a maioria absoluta dos ministros do Gabinete acreditava que o plano alternativo apresentado não alcançaria a derrota do Hamas nem o retorno dos reféns”.
Segundo o gabinete de Netanyahu, a nova operação expandida incluirá o fornecimento de ajuda humanitária a palestinos. Também foram aprovados também cinco princípios para o fim da guerra:
Desarmamento do Hamas;
Retorno de todos os reféns sequestrados — tanto vivos quanto mortos;
Desmilitarização da Faixa de Gaza;
Controle de segurança israelense sobre a Faixa de Gaza;
Estabelecimento de um governo civil alternativo que não seja nem o Hamas, nem a Autoridade Palestina.
A nova investida tem o potencial de agravar ainda mais a crise humanitária em Gaza, em que palestinos enfrentam fome generalizada com escassez de comida, água e remédios, com entrega de alimentos “a conta-gotas”, denunciam a comunidade internacional e organizações humanitárias.
Mais de 61 mil morreram no território desde o início da guerra entre Israel e Hamas, iniciada após ataque terrorista no sul de Israel, que matou mais de 1.200 israelenses e mais de 250 foram levados como reféns.
Comunidade internacional condena nova ofensiva
Palestinos carregam sacos de farinha que obtiveram de caminhões de ajuda que entraram em Gaza pelo posto de passagem de Zikim, em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, em 1º de agosto de 2025.
Bashar Taleb/AFP
Diversos países do mundo repudiaram a nova decisão do governo de Israel de expandir a guerra em Gaza. Órgãos humanitários como a ONU também se manifestaram contra.
“Essa nova escalada resultará em mais deslocamentos forçados em massa, mais mortes, mais sofrimento insuportável, destruição sem sentido e crimes nefastos. Em vez de intensificar essa guerra, o governo israelense deveria concentrar todos os seus esforços em salvar vidas de civis em Gaza, permitindo o fluxo total e sem restrições de ajuda humanitária. Os reféns devem ser libertados de forma imediata e incondicional pelos grupos armados palestinos”, disse Turk.
A Alemanha disse que a decisão de Netanyahu aumenta a visão pessimista do governo alemão pelo fim do conflito e que, por isso, desautorizará quaisquer exportações de equipamento militares a Israel até novo aviso. O comunicado alemão, no entanto, reiterou o direito israelense de se defender contra o Hamas.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Jordânia condenou a decisão israelense de tomar o controle da Cidade de Gaza.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a expansão do conflito “tem que ser reconsiderada” por Israel e reitera a necessidade de um cessar-fogo imediato para entrada de ajuda humanitária. Ursula também fez novos pedidos pela libertação dos reféns israelenses.
A China expressou “profunda preocupação” com a medida de Israel.
Já o ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, Caspar Veldkamp, chamou o plano israelense de “um movimento errado” no conflito em Gaza. “A situação humanitária (em Gaza) é catastrófica e exige melhorias imediatas. Essa decisão em nada contribui para isso e também não ajudará a trazer os reféns para casa”, completou Veldkamp em comunicado no X.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Rasmussen, também chamou a decisão de Israel de errada e disse que deveria ser imediatamente revertida.
Já a Turquia condenou a decisão e disse que Israel precisa interromper seus planos de guerra, e aceitar um cessar-fogo e negociar a Solução de Dois Estados.
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O governo israelense de Benjamin Netanyahu recebeu críticas dentro e fora de Israel nesta sexta-feira (8) pelo novo plano de tomar o controle de toda a Faixa de Gaza, confirmado pelo premiê e aprovado por seu gabinete na quinta.
O gabinete de segurança e assuntos políticos de Israel anunciou ter aprovado um plano para ocupar a Cidade de Gaza, na região central do território palestino, que abriga cerca de um milhão de pessoas. O movimento, que inaugura nova investida para tomar o controle total de Gaza, levanta novas preocupações por um novo deslocamento em massa e agravamento da crise humanitária dos palestinos. (Leia mais abaixo)
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O governo do Reino Unido chamou a expansão da ofensiva israelense de “errada” e pediu para Israel reconsiderar imediatamente a decisão. A Dinamarca também pediu a “imediata reversão” da diretriz, e a Alemanha desautorizou quaisquer exportações de equipamento militares a Israel até novo aviso. Outros países que repudiaram a medida incluem a China, Turquia, Jordânia e Países Baixos —veja mais abaixo o que os países falaram.
“A decisão do governo israelense de intensificar ainda mais sua ofensiva em Gaza está errada, e pedimos que reconsidere imediatamente. A cada dia, a crise humanitária em Gaza piora e os reféns capturados pelo Hamas continuam sendo mantidos em condições terríveis e desumanas. Precisamos de um cessar-fogo agora”, afirmou o premiê britânico, Keir Starmer, em comunicado.
O chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, afirmou nesta sexta-feira que o novo plano de Israel causará mais mortes e sofrimento, e precisa ser “imediatamente interrompido”. Turk também mencionou que a decisão vai contra a decisão da Corte Internacional de Justiça, que determina o término da ocupação de Israel em Gaza o mais rápido possível.
O novo plano também gerou controvérsia dentro de Israel. Famílias de reféns e outros israelenses protestaram perto da sede do governo contra a nova medida e pediram o retorno imediato dos reféns que ainda estão sob poder do grupo terrorista Hamas em Gaza. Na capital Tel Aviv, protestos foram dispersados pela polícia com balas de borracha e bombas de efeito moral.
Parentes de reféns e outros israelenses protestam por um cessar-fogo imediato em Gaza com libertação dos reféns, em Tel Aviv, em 7 de agosto de 2025.
REUTERS/Ammar Awad
Ainda há cerca de 50 reféns israelenses no poder do Hamas, dos quais Israel estima que cerca de 20 estejam vivos.
Altos oficiais do Exército consideram arriscada a nova ofensiva e temem que resulte em muitas mortes e riscos para as tropas. O comandante das Forças Armadas, Eyal Zamir, disse se opor ao plano por representar um risco às vidas dos reféns israelenses em poder do Hamas. Segundo Zamir, as tropas estão exaustas e há o perigo delas ficarem “presas” em Gaza com a nova operação.
A discordância de opiniões gerou uma briga entre Netanyahu e Zamir, segundo a mídia israelense. O general também se irritou por conta do filho do premiê ter o acusado de tentar incitar um motim contra o governo, algo que o comandante nega. Em resposta, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército “cumprirá” todas as diretrizes enviadas pelo governo.
Expansão da ocupação em Gaza
Imagens mostram destruição e crise da fome na Cidade de Gaza
Reuters e AFP
Netanyahu confirmou na quinta-feira, em entrevista à TV americana “Fox News” planos de ocupar a totalidade da Faixa de Gaza ao final da guerra, mas disse não ter a intenção de anexar o território, e sim estabelecer um “perímetro de segurança”.
Segundo a mídia israelense, a nova investida terá duração prevista de quatro a cinco meses e terá como foco conquistar “novas e vastas” áreas da Cidade de Gaza, com ordens de evacuação à população local e, em seguida, operações militares com tanques de guerra em busca do grupo terrorista Hamas, em locais incluindo campos de tendas de refugiados pela guerra.
A expansão da ofensiva contra o Hamas em Gaza, que já conta com uma operação terrestre robusta desde outubro de 2023 e que se intensificou ao longo do tempo, ocorre após a divulgação de vídeos de reféns israelenses em estado esquelético, o que enfureceu o governo israelense. Um dos reféns afirmou em vídeo “estar à beira da morte”, e outro apareceu cavando sua própria cova.
Em comunicado na quinta-feira (sexta-feira, no horário local), o gabinete de Benjamin Netanyahu afirmou ter aprovado os planos do primeiro-ministro porque “a maioria absoluta dos ministros do Gabinete acreditava que o plano alternativo apresentado não alcançaria a derrota do Hamas nem o retorno dos reféns”.
Segundo o gabinete de Netanyahu, a nova operação expandida incluirá o fornecimento de ajuda humanitária a palestinos. Também foram aprovados também cinco princípios para o fim da guerra:
Desarmamento do Hamas;
Retorno de todos os reféns sequestrados — tanto vivos quanto mortos;
Desmilitarização da Faixa de Gaza;
Controle de segurança israelense sobre a Faixa de Gaza;
Estabelecimento de um governo civil alternativo que não seja nem o Hamas, nem a Autoridade Palestina.
A nova investida tem o potencial de agravar ainda mais a crise humanitária em Gaza, em que palestinos enfrentam fome generalizada com escassez de comida, água e remédios, com entrega de alimentos “a conta-gotas”, denunciam a comunidade internacional e organizações humanitárias.
Mais de 61 mil morreram no território desde o início da guerra entre Israel e Hamas, iniciada após ataque terrorista no sul de Israel, que matou mais de 1.200 israelenses e mais de 250 foram levados como reféns.
Comunidade internacional condena nova ofensiva
Palestinos carregam sacos de farinha que obtiveram de caminhões de ajuda que entraram em Gaza pelo posto de passagem de Zikim, em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, em 1º de agosto de 2025.
Bashar Taleb/AFP
Diversos países do mundo repudiaram a nova decisão do governo de Israel de expandir a guerra em Gaza. Órgãos humanitários como a ONU também se manifestaram contra.
“Essa nova escalada resultará em mais deslocamentos forçados em massa, mais mortes, mais sofrimento insuportável, destruição sem sentido e crimes nefastos. Em vez de intensificar essa guerra, o governo israelense deveria concentrar todos os seus esforços em salvar vidas de civis em Gaza, permitindo o fluxo total e sem restrições de ajuda humanitária. Os reféns devem ser libertados de forma imediata e incondicional pelos grupos armados palestinos”, disse Turk.
A Alemanha disse que a decisão de Netanyahu aumenta a visão pessimista do governo alemão pelo fim do conflito e que, por isso, desautorizará quaisquer exportações de equipamento militares a Israel até novo aviso. O comunicado alemão, no entanto, reiterou o direito israelense de se defender contra o Hamas.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Jordânia condenou a decisão israelense de tomar o controle da Cidade de Gaza.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a expansão do conflito “tem que ser reconsiderada” por Israel e reitera a necessidade de um cessar-fogo imediato para entrada de ajuda humanitária. Ursula também fez novos pedidos pela libertação dos reféns israelenses.
A China expressou “profunda preocupação” com a medida de Israel.
Já o ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, Caspar Veldkamp, chamou o plano israelense de “um movimento errado” no conflito em Gaza. “A situação humanitária (em Gaza) é catastrófica e exige melhorias imediatas. Essa decisão em nada contribui para isso e também não ajudará a trazer os reféns para casa”, completou Veldkamp em comunicado no X.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Rasmussen, também chamou a decisão de Israel de errada e disse que deveria ser imediatamente revertida.
Já a Turquia condenou a decisão e disse que Israel precisa interromper seus planos de guerra, e aceitar um cessar-fogo e negociar a Solução de Dois Estados.
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