Presidente do Irã vê boas perspectivas para negociações com EUA
O Irã deve ter um dia decisivo nesta quinta-feira (25), com mais uma rodada de negociações nucleares com autoridades dos Estados Unidos. Segundo o jornal britânico The Guardian, o presidente Donald Trump deve decidir sobre um possível ataque ao país com base no resultado do encontro.
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▶️ Contexto: A reunião desta quinta, em Genebra, na Suíça, será a terceira em menos de um mês na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano.
Os EUA querem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país busque construir uma bomba nuclear.
O governo iraniano afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e diz estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
A última reunião entre os dois países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra. Na ocasião, a delegação iraniana afirmou que houve progresso. A Casa Branca disse que o encontro representou “certo avanço”.
Para a reunião desta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ver chances de um bom resultado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que um acordo pode ser fechado, desde que a diplomacia seja priorizada.
Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que espera uma reunião produtiva. Por outro lado, declarou que o governo iraniano terá “um grande problema” se resistir a discutir o alcance dos mísseis.
Em meio às tensões, o Irã voltou a registrar protestos de estudantes nos últimos dias. O governo advertiu os manifestantes para que não ultrapassem os “limites”. Em janeiro, uma onda de protestos deixou milhares de mortos após forte repressão das forças de segurança iranianas.
Nesta reportagem, você vai entender:
O que Trump cogita contra o Irã
As ameaças feitas pelo presidente dos EUA
As movimentações militares
Como cresceram as tensões entre os dois países
Ataque no radar
Donald Trump e aiatolá Ali Khamenei
ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / VARIOUS SOURCES / AFP
O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após a reunião desta quinta com autoridades iranianas.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Trump disse a assessores que considera ataques limitados para pressionar o Irã. O presidente também avalia uma campanha mais ampla, com o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei.
Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente para uma série de riscos.
Fontes ouvidas pelo The Washington Post disseram que os EUA podem enfrentar dificuldades devido ao estoque limitado de munição.
O arsenal estaria reduzido por causa do apoio americano aos conflitos envolvendo Israel e Ucrânia, segundo a reportagem.
O jornal afirmou ainda que Caine está preocupado com o risco de mortes de americanos, além de uma guerra generalizada.
Trump nega as informações.
O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na segunda-feira.
Ameaça pública
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos
Kevin Lamarque/Reuters
Na terça-feira, Trump voltou a adotar um tom de ameaça contra o Irã durante o discurso do Estado da União no Congresso dos EUA. Ele relembrou os ataques realizados em junho de 2025 e afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um programa de armas nucleares iraniano.
Segundo o presidente, o Irã foi avisado para não retomar o programa. Ainda assim, declarou que o país “voltou a perseguir ambições nucleares”.
Trump também disse que o governo iraniano busca desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos.
O norte-americano afirmou ainda que não permitirá que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” tenha uma arma nuclear.
Em resposta, o Irã classificou as acusações como “grandes mentiras” e acusou o governo Trump de promover uma “campanha de desinformação”.
Essa não foi a primeira vez que Trump ameaçou o Irã. Desde janeiro, o presidente afirma que pode optar por uma saída militar caso a diplomacia fracasse.
Na semana passada, o presidente sugeriu ter dado até 15 dias ao governo iraniano para avançar em um acordo. O prazo termina na primeira semana de março.
“Talvez tenhamos que dar um passo além. Ou talvez consigamos fechar um acordo. Vocês vão descobrir”, afirmou em 19 de fevereiro.
Movimentações militares
O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019
Zachary Pearson/U.S. Navy via AP
Diante da crise, em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Antes, o navio participava de manobras no Mar do Sul da China.
Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio.
As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região.
Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove.
Imagens de satélite também registraram movimentações em bases militares dos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.
Enquanto isso, o Irã anunciou exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. A Guarda Revolucionária também realizou manobras, inclusive no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo.
Infográfico mostra cerco militar dos EUA ao Irã
Editoria de Arte/g1
Escalada de tensões
Não é de hoje que Irã e Estados Unidos vivem relações tensas. Os países acumulam desavenças desde 1979, quando a Revolução Islâmica implantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.
De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.
Durante o governo de Barack Obama, as relações tiveram certa estabilização, o que contribuiu para o acordo histórico de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano.
Dois anos depois, no entanto, Trump retirou os EUA do tratado, ao afirmar que o Irã continuava em uma corrida armamentista e retomou sanções econômicas.
No início de 2020, os dois países viveram uma grande crise após o governo Trump lançar uma operação que resultou na morte do general Qassem Soleimani, principal figura da estratégia militar iraniana e muito próximo do líder supremo.
No ano passado, os EUA lançaram um ataque ao Irã em apoio a Israel para destruir instalações nucleares iranianas. O bombardeio resultou em um contra-ataque limitado contra uma base americana na região e em um acordo de cessar-fogo.
As tensões voltaram a crescer no início de janeiro deste ano, quando o Irã enfrentou com violência uma onda de protestos contra o governo Khamenei. Milhares de pessoas morreram durante a repressão. À época, Trump ameaçou uma nova ação militar.
Com o enfraquecimento dos atos, motivado pela repressão do governo, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano para manter as ameaças. Mesmo com os dois países voltando à mesa de negociações, a troca de declarações hostis continuou.
Iranianos queimam bandeira dos EUA em manifestação em apoio a ataque do Irã a Israel
Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
VÍDEOS: mais assistidos do g1
O Irã deve ter um dia decisivo nesta quinta-feira (25), com mais uma rodada de negociações nucleares com autoridades dos Estados Unidos. Segundo o jornal britânico The Guardian, o presidente Donald Trump deve decidir sobre um possível ataque ao país com base no resultado do encontro.
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Os EUA querem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país busque construir uma bomba nuclear.
O governo iraniano afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e diz estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.
A última reunião entre os dois países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra. Na ocasião, a delegação iraniana afirmou que houve progresso. A Casa Branca disse que o encontro representou “certo avanço”.
Para a reunião desta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ver chances de um bom resultado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que um acordo pode ser fechado, desde que a diplomacia seja priorizada.
Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que espera uma reunião produtiva. Por outro lado, declarou que o governo iraniano terá “um grande problema” se resistir a discutir o alcance dos mísseis.
Em meio às tensões, o Irã voltou a registrar protestos de estudantes nos últimos dias. O governo advertiu os manifestantes para que não ultrapassem os “limites”. Em janeiro, uma onda de protestos deixou milhares de mortos após forte repressão das forças de segurança iranianas.
Nesta reportagem, você vai entender:
O que Trump cogita contra o Irã
As ameaças feitas pelo presidente dos EUA
As movimentações militares
Como cresceram as tensões entre os dois países
Ataque no radar
Donald Trump e aiatolá Ali Khamenei
ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / VARIOUS SOURCES / AFP
O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após a reunião desta quinta com autoridades iranianas.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Trump disse a assessores que considera ataques limitados para pressionar o Irã. O presidente também avalia uma campanha mais ampla, com o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei.
Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente para uma série de riscos.
Fontes ouvidas pelo The Washington Post disseram que os EUA podem enfrentar dificuldades devido ao estoque limitado de munição.
O arsenal estaria reduzido por causa do apoio americano aos conflitos envolvendo Israel e Ucrânia, segundo a reportagem.
O jornal afirmou ainda que Caine está preocupado com o risco de mortes de americanos, além de uma guerra generalizada.
Trump nega as informações.
O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na segunda-feira.
Ameaça pública
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos
Kevin Lamarque/Reuters
Na terça-feira, Trump voltou a adotar um tom de ameaça contra o Irã durante o discurso do Estado da União no Congresso dos EUA. Ele relembrou os ataques realizados em junho de 2025 e afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um programa de armas nucleares iraniano.
Segundo o presidente, o Irã foi avisado para não retomar o programa. Ainda assim, declarou que o país “voltou a perseguir ambições nucleares”.
Trump também disse que o governo iraniano busca desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos.
O norte-americano afirmou ainda que não permitirá que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” tenha uma arma nuclear.
Em resposta, o Irã classificou as acusações como “grandes mentiras” e acusou o governo Trump de promover uma “campanha de desinformação”.
Essa não foi a primeira vez que Trump ameaçou o Irã. Desde janeiro, o presidente afirma que pode optar por uma saída militar caso a diplomacia fracasse.
Na semana passada, o presidente sugeriu ter dado até 15 dias ao governo iraniano para avançar em um acordo. O prazo termina na primeira semana de março.
“Talvez tenhamos que dar um passo além. Ou talvez consigamos fechar um acordo. Vocês vão descobrir”, afirmou em 19 de fevereiro.
Movimentações militares
O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019
Zachary Pearson/U.S. Navy via AP
Diante da crise, em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Antes, o navio participava de manobras no Mar do Sul da China.
Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio.
As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região.
Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove.
Imagens de satélite também registraram movimentações em bases militares dos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.
Enquanto isso, o Irã anunciou exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. A Guarda Revolucionária também realizou manobras, inclusive no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo.
Infográfico mostra cerco militar dos EUA ao Irã
Editoria de Arte/g1
Escalada de tensões
Não é de hoje que Irã e Estados Unidos vivem relações tensas. Os países acumulam desavenças desde 1979, quando a Revolução Islâmica implantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.
De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.
Durante o governo de Barack Obama, as relações tiveram certa estabilização, o que contribuiu para o acordo histórico de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano.
Dois anos depois, no entanto, Trump retirou os EUA do tratado, ao afirmar que o Irã continuava em uma corrida armamentista e retomou sanções econômicas.
No início de 2020, os dois países viveram uma grande crise após o governo Trump lançar uma operação que resultou na morte do general Qassem Soleimani, principal figura da estratégia militar iraniana e muito próximo do líder supremo.
No ano passado, os EUA lançaram um ataque ao Irã em apoio a Israel para destruir instalações nucleares iranianas. O bombardeio resultou em um contra-ataque limitado contra uma base americana na região e em um acordo de cessar-fogo.
As tensões voltaram a crescer no início de janeiro deste ano, quando o Irã enfrentou com violência uma onda de protestos contra o governo Khamenei. Milhares de pessoas morreram durante a repressão. À época, Trump ameaçou uma nova ação militar.
Com o enfraquecimento dos atos, motivado pela repressão do governo, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano para manter as ameaças. Mesmo com os dois países voltando à mesa de negociações, a troca de declarações hostis continuou.
Iranianos queimam bandeira dos EUA em manifestação em apoio a ataque do Irã a Israel
Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
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