Segundo estimativas, existem 200 hipopótamos silvestres na Colômbia
AFP vía Getty Images
Os quatro hipopótamos que o traficante Pablo Escobar levou para a Colômbia nos anos 1980 se transformaram em uma numerosa manada invasora.
Segundo o censo mais recente do Ministério do Meio Ambiente, em 2022 havia pelo menos 169. Sem uma política de controle populacional, estima-se que, até 2030, poderiam chegar a mais de 500, e em 2035 ultrapassariam mil.
Nesta segunda-feira (13/4), a ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez, anunciou os planos do governo para reduzir a população de hipopótamos, que inclui o sacrifício de 80 animais da espécie.
Desde 2022, os hipopótamos na Colômbia são considerados uma espécie exótica invasora, o que significa que são vistos como uma ameaça aos ecossistemas e à biodiversidade nativa.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
A ministra Vélez explicou que o crescimento descontrolado da população de hipopótamos, concentrada nas margens do rio Magdalena, contamina a água, afeta comunidades e coloca em risco espécies como o peixe-boi e a tartaruga de rio.
O hipopótamo é considerado um dos animais mais agressivos do mundo e representa um risco de ataque para pescadores e moradores da região.
De acordo com um estudo publicado na revista Animals (Animais, em português) em 2021, 87% dos encontros entre humanos e hipopótamos em Uganda, entre 1923 e 1994, foram fatais.
Sobre a decisão de realizar a eutanásia, a ministra afirmou: “Do ponto de vista científico, esta é uma ação necessária para reduzir a população”.
Translocação e eutanásia
A ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez (ao centro), anunciou nesta segunda-feira que o governo dará início ao sacrifício de hipopótamos
X/@MinAmbienteCo
O documento oficial assinado nesta segunda-feira destina 7,2 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 10 milhões) para a redução da população de hipopótamos no país. Segundo a ministra, a expectativa é que a população seja reduzida em pelo menos 33 hipopótamos por ano.
O documento prevê duas formas para alcançar esse objetivo: a translocação (levar os hipopótamos para zoológicos e santuários em outros países) e a eutanásia.
O governo tem tentado encontrar países dispostos a receber alguns dos hipopótamos, mas, ainda não recebeu uma resposta positiva de nenhum deles.
“Acreditamos que isso tem a ver com a pobreza genética e possíveis danos genéticos que esses indivíduos apresentam”, disse Vélez em entrevista à emissora colombiana Blu Radio.
Como todos os animais descendem dos mesmos quatro hipopótamos de Escobar, a diversidade genética é muito baixa, o que aumenta a ocorrência de defeitos congênitos.
A diretora de Bosques, Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, Natalia Ramírez, explicou que, além disso, o transporte dos hipopótamos para outro país é muito caro.
Diante disso, enquanto a Colômbia não encontra quem esteja disposto a receber os animais e financiar o transporte, as autoridades optaram por realizar a eutanásia em 80 deles.
Segundo Vélez, a decisão segue recomendações de especialistas em biodiversidade e será realizada de acordo com um protocolo técnico para garantir que seja “ética, segura e responsável”.
A eutanásia de cada hipopótamo custará cerca de 50 milhões de pesos colombianos (aproximadamente R$ 70 mil), informou a ministra em entrevista à Blu Radio. Esse valor não inclui o enterro do corpo, que é necessário por razões de saúde pública.
A medida do Ministério do Meio Ambiente prevê ainda que os hipopótamos sejam sacrificados por meio de injeção ou com o uso de um dardo disparado por rifle.
A senadora Andrea Padilla, que é ativista pelos direitos dos animais, se manifestou contra a decisão, classificando-a como “simplista e cruel”.
“Nunca apoiarei a matança de criaturas saudáveis; ainda mais quando, como neste caso, são vítimas da irresponsabilidade, negligência, indiferença e corrupção do Estado”, escreveu em sua conta na rede X.
Os hipopótamos na Colômbia
Na década de 1980, quando estava no auge do seu poder e da sua riqueza, Pablo Escobar instalou na Fazenda Nápoles um zoológico com hipopótamos, girafas, elefantes, zebras, avestruzes, rinocerontes e búfalos.
Após sua morte, em 1993, a fazenda ficou abandonada. A maioria dos animais foi transferida para outros zoológicos, mas ninguém quis receber os hipopótamos, que acabaram ficando soltos e rapidamente se espalharam além dos limites da fazenda, pela bacia do rio Magdalena.
A manada de hipopótamos na Colômbia é considerada a primeira e única que vive de forma selvagem fora do continente africano.
Segundo o Instituto Humboldt, a população de hipopótamos cresceu porque eles encontram tudo o que precisam: muita comida e abundância de água.
Diferentemente da África, onde enfrentam predadores e períodos de seca, na Colômbia não existem os chamados “controladores naturais” da população.
Esse crescimento acelerado tem causado um grande impacto nos ecossistemas.
De acordo com relatórios do Instituto Humboldt, por serem megaherbívoros (podendo ultrapassar uma tonelada), os hipopótamos consomem a vegetação nativa — que normalmente serviria de alimento para animais menores — e também alteram a paisagem com suas pisadas, além de produzir uma grande quantidade de excremento.
Também já foram registrados “ataques a pessoas, perseguições dentro de corpos d’água, medo de pescadores de exercer seu trabalho, presença de hipopótamos em estradas e encontros ocasionais com pescadores, crianças e outras espécies”, segundo o instituto.
Desde o início deste século, o governo colombiano vem tentando diferentes estratégias para controlar a população de hipopótamos, desde o abate até a castração química.
Até agora, todas se mostraram ineficazes para conter o crescimento da população.
Com o plano anunciado nesta segunda-feira pela ministra Vélez, o governo espera finalmente reverter esse cenário.
AFP vía Getty Images
Os quatro hipopótamos que o traficante Pablo Escobar levou para a Colômbia nos anos 1980 se transformaram em uma numerosa manada invasora.
Segundo o censo mais recente do Ministério do Meio Ambiente, em 2022 havia pelo menos 169. Sem uma política de controle populacional, estima-se que, até 2030, poderiam chegar a mais de 500, e em 2035 ultrapassariam mil.
Nesta segunda-feira (13/4), a ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez, anunciou os planos do governo para reduzir a população de hipopótamos, que inclui o sacrifício de 80 animais da espécie.
Desde 2022, os hipopótamos na Colômbia são considerados uma espécie exótica invasora, o que significa que são vistos como uma ameaça aos ecossistemas e à biodiversidade nativa.
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A ministra Vélez explicou que o crescimento descontrolado da população de hipopótamos, concentrada nas margens do rio Magdalena, contamina a água, afeta comunidades e coloca em risco espécies como o peixe-boi e a tartaruga de rio.
O hipopótamo é considerado um dos animais mais agressivos do mundo e representa um risco de ataque para pescadores e moradores da região.
De acordo com um estudo publicado na revista Animals (Animais, em português) em 2021, 87% dos encontros entre humanos e hipopótamos em Uganda, entre 1923 e 1994, foram fatais.
Sobre a decisão de realizar a eutanásia, a ministra afirmou: “Do ponto de vista científico, esta é uma ação necessária para reduzir a população”.
Translocação e eutanásia
A ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez (ao centro), anunciou nesta segunda-feira que o governo dará início ao sacrifício de hipopótamos
X/@MinAmbienteCo
O documento oficial assinado nesta segunda-feira destina 7,2 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 10 milhões) para a redução da população de hipopótamos no país. Segundo a ministra, a expectativa é que a população seja reduzida em pelo menos 33 hipopótamos por ano.
O documento prevê duas formas para alcançar esse objetivo: a translocação (levar os hipopótamos para zoológicos e santuários em outros países) e a eutanásia.
O governo tem tentado encontrar países dispostos a receber alguns dos hipopótamos, mas, ainda não recebeu uma resposta positiva de nenhum deles.
“Acreditamos que isso tem a ver com a pobreza genética e possíveis danos genéticos que esses indivíduos apresentam”, disse Vélez em entrevista à emissora colombiana Blu Radio.
Como todos os animais descendem dos mesmos quatro hipopótamos de Escobar, a diversidade genética é muito baixa, o que aumenta a ocorrência de defeitos congênitos.
A diretora de Bosques, Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, Natalia Ramírez, explicou que, além disso, o transporte dos hipopótamos para outro país é muito caro.
Diante disso, enquanto a Colômbia não encontra quem esteja disposto a receber os animais e financiar o transporte, as autoridades optaram por realizar a eutanásia em 80 deles.
Segundo Vélez, a decisão segue recomendações de especialistas em biodiversidade e será realizada de acordo com um protocolo técnico para garantir que seja “ética, segura e responsável”.
A eutanásia de cada hipopótamo custará cerca de 50 milhões de pesos colombianos (aproximadamente R$ 70 mil), informou a ministra em entrevista à Blu Radio. Esse valor não inclui o enterro do corpo, que é necessário por razões de saúde pública.
A medida do Ministério do Meio Ambiente prevê ainda que os hipopótamos sejam sacrificados por meio de injeção ou com o uso de um dardo disparado por rifle.
A senadora Andrea Padilla, que é ativista pelos direitos dos animais, se manifestou contra a decisão, classificando-a como “simplista e cruel”.
“Nunca apoiarei a matança de criaturas saudáveis; ainda mais quando, como neste caso, são vítimas da irresponsabilidade, negligência, indiferença e corrupção do Estado”, escreveu em sua conta na rede X.
Os hipopótamos na Colômbia
Na década de 1980, quando estava no auge do seu poder e da sua riqueza, Pablo Escobar instalou na Fazenda Nápoles um zoológico com hipopótamos, girafas, elefantes, zebras, avestruzes, rinocerontes e búfalos.
Após sua morte, em 1993, a fazenda ficou abandonada. A maioria dos animais foi transferida para outros zoológicos, mas ninguém quis receber os hipopótamos, que acabaram ficando soltos e rapidamente se espalharam além dos limites da fazenda, pela bacia do rio Magdalena.
A manada de hipopótamos na Colômbia é considerada a primeira e única que vive de forma selvagem fora do continente africano.
Segundo o Instituto Humboldt, a população de hipopótamos cresceu porque eles encontram tudo o que precisam: muita comida e abundância de água.
Diferentemente da África, onde enfrentam predadores e períodos de seca, na Colômbia não existem os chamados “controladores naturais” da população.
Esse crescimento acelerado tem causado um grande impacto nos ecossistemas.
De acordo com relatórios do Instituto Humboldt, por serem megaherbívoros (podendo ultrapassar uma tonelada), os hipopótamos consomem a vegetação nativa — que normalmente serviria de alimento para animais menores — e também alteram a paisagem com suas pisadas, além de produzir uma grande quantidade de excremento.
Também já foram registrados “ataques a pessoas, perseguições dentro de corpos d’água, medo de pescadores de exercer seu trabalho, presença de hipopótamos em estradas e encontros ocasionais com pescadores, crianças e outras espécies”, segundo o instituto.
Desde o início deste século, o governo colombiano vem tentando diferentes estratégias para controlar a população de hipopótamos, desde o abate até a castração química.
Até agora, todas se mostraram ineficazes para conter o crescimento da população.
Com o plano anunciado nesta segunda-feira pela ministra Vélez, o governo espera finalmente reverter esse cenário.

