Republicanos se juntam aos democratas e pedem a cabeça de Kristi Noem, a 'Barbie do ICE'<div>Republicanos se juntam aos democratas e pedem a cabeça de Kristi Noem, a 'Barbie do ICE'</div>
Kristi Noem, chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUa
g1
Donald Trump tornou-se popular demitindo pessoas no reality show “O aprendiz”, mas como presidente dos EUA, ele evita dispensar seus funcionários, ainda que cometam erros e o irritem.
É o caso da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, que conduz a errática política anti-imigração do governo e apressou-se a tachar como terrorista doméstico o enfermeiro Alex Pretti, assassinado brutalmente em Minneapolis com dez tiros por agentes federais.
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Ao apresentar sua fantasiosa versão para a execução, Noem deflagrou uma onda bipartidária de apelos para que renunciasse ao cargo, sob a ameaça de sofrer um impeachment.
Trump resistiu e pareceu apoiar a secretária, mas deixou claro o descontentamento: mandou o czar da fronteira, Tom Homan, para Minnesota, no lugar de Gregory Bovino, alinhado a Noem e responsável pela truculência na resposta aos protestos em Minneapolis.
Apelidada pelos críticos de Barbie do ICE, ela sai queimada e humilhada pela crise em Minneapolis, mas, por enquanto, permanece no cargo. O presidente aprecia a lealdade de seus assessores, e Noem atua para parecer mais realista do que o chefe.
Quando a primeira leva de imigrantes foi deportada para El Salvador, a secretária correu para lá e posou diante dos presos no Cecot, a megaprisão de segurança construída pelo presidente Nayib Bukele.
👉 Vale lembrar que a ex-governadora de Dakota do Sul coleciona episódios bastante controversos em sua biografia. Fez questão de contar em livro que assassinou o próprio cachorro, o filhote Cricket, de 14 meses, por considerá-lo indomável.
“Eu odiava aquele cão”, justificou a então governadora. Ela relatou também ter matado uma cabra da fazenda da família: “Era má, nojenta e malcheirosa.”
Para levar adiante a deportação em massa de imigrantes, um dos pilares do governo Trump, Noem obteve uma invejável dotação orçamentária às duas agências sob o guarda-chuva do Departamento de Segurança Interna — o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha da Fronteira. O ICE recebeu US$ 30 bilhões e dobrou o seu efetivo para 22 mil agentes.
Câmera lenta: veja em detalhes como ICE agrediu, desarmou e matou enfermeiro nos EUA
As imagens das mortes de dois americanos por agentes federais e da prisão de uma criança de 5 anos em Minneapolis parecem ter abalado o eixo desta política. Congressistas republicanos indignados se juntaram ao bloco democrata pedindo a cabeça de Kristi Noem.
“O que ela fez em Minnesota deveria ser motivo de desqualificação. Ela deveria ser demitida, é simplesmente amadorismo”, ponderou o senador republicano Thom Tilis, da Carolina do Norte. Ao ser chamado de perdedor pelo presidente, o senador replicou com ironia: “Fico muito feliz, pois isso me qualifica para ser secretário de Segurança Interna e conselheiro sênior do presidente.
Diante do desgaste na base republicana e da repercussão negativa no país, o presidente teria recomendado a Tom Homan suavizar a atuação em Minnesota. O aparente recuo do presidente foi recebido com ceticismo em Minneapolis, onde as patrulhas de ativistas organizadas por moradores permanecem mobilizadas à espera do imponderável, que está sempre à espreita na Casa Branca de Trump.
Kristi Noem, por sua vez, se segura no cargo e parece fazer jus ao apelido de “Barbie do ICE” (que em inglês significa gelo): a secretária de Segurança Interna foi escanteada para gerir os estragos causados pela onda de frio extremo no país.
Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, durante operação contra imigrantes em Nova York, em janeiro de 2025.
X/@Sec_Noem
O Ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Hector Villatoro, com a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, durante visita pelo Centro de Confinamento de Terroristas
Alex Brandon/Pool via REUTERS

By Marsescritor

MARSESCRITOR tem formação em Letras, é também escritor com 10 livros publicados.