O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parabenizou a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, após o Partido Liberal Democrata (PLD), do qual faz parte, conquistar ao menos dois terços do Parlamento japonês em eleições realizadas neste domingo (8).
“Parabéns à Primeira-Ministra Sanae Takaichi e à sua Coalizão pela vitória esmagadora na importantíssima votação de hoje”, escreveu o republicano. “A decisão ousada e sábia de Sanae de convocar eleições deu frutos extraordinários”.
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Na semana passada, Trump afirmou que a receberá na Casa Branca no mês que vem.
Trump Sanae
Reprodução/Truth Social
As urnas foram fechadas às 20h da noite neste domingo (8), no horário local, e em menos de duas horas, o PLD já havia ultrapassado os 233 assentos.
O resultado confirmou a projeção inicial de uma boca de urna da NHK, divulgada logo após o fim da votação, que apontava ampla vantagem para a legenda.
O controle do Congresso é considerado estratégico para que Takaichi consiga avançar em pautas do governo.
Para conquistar o número de assentos, o PLD contou com o apoio do partido de coalizão, o Nippon Ishin no Kai (Partido da Inovação do Japão).
A conservadora afirma ser inspirada pela Dama de Ferro, a britânica Margaret Thatcher, e tem opiniões fortes sobre política econômica, segurança nacional e é favor de restrições à imigração.
Ela também é historicamente avessa a políticas de gênero e defende, por exemplo, que a linhagem monárquica no Japão siga sendo ocupada exclusivamente por homens.
Somando forças com o partido de coalizão, o Nippon Ishin no Kai, o bloco governista deve obter entre 302 e 366 assentos no total, reforçando a base de apoio do governo no legislativo.
O resultado consolidado ainda não havia sido divulgado até a última atualização desta reportagem.
Eleições antecipadas
Takaichi dissolveu o Parlamento japonês em 19 de janeiro e convocou eleições antecipadas oito dias depois para tentar transformar sua alta popularidade em uma maioria mais consolidada no legislativo.
Este período eleitoral foi considerado o mais curto desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com apenas 16 dias entre a dissolução do Parlamento e o dia da votação.
Primeira mulher a governar o Japão, Takaichi, de 64 anos, tornou-se em outubro a quinta chefe de governo do país em cinco anos.
Apesar de suas posições conservadoras, ela se tornou um fenômeno nas redes sociais e popular entre os jovens.
Entre este grupo, surgiu até uma “febre” chamada de sanakatsu — algo como “mania por Sanae” — que impulsionou a procura por objetos que ela usa, como bolsas e até uma caneta rosa que ela usa para fazer anotações no Parlamento.
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Apoio de Trump
Em publicação nas redes sociais, antes das eleições, Trump afirmou que Takaichi é uma líder “forte, poderosa e sábia” e declarou “apoio total e absoluto” à premiê.
O presidente norte-americano também disse estar ansioso para recebê-la na Casa Branca em 19 de março e destacou negociações comerciais e cooperação em segurança entre os dois países.
Neste domingo (8), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, elogiou Takaichi como uma grande aliada após a vitória de sua coalizão.
“Ela é uma grande aliada, tem uma ótima relação com o presidente”, disse Bessent, em entrevista ao programa Sunday Morning Futures, da Fox News.
“E quando o Japão está forte, os Estados Unidos estão fortes na Ásia.”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma cerimônia de assinatura durante uma reunião bilateral com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no Palácio de Akasaka, em Tóquio, Japão, em 28 de outubro de 2025.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Como foi o dia de votação
Os japoneses tiveram que enfrentar nevascas recordes para consguirem votar. Em algumas partes do país, a neve prejudicou o trânsito, obrigando algumas seções eleitorais a fechar mais cedo.
Esta é apenas a terceira eleição do pós-guerra realizada em fevereiro, já que, normalmente, as eleições são convocadas em meses de clima mais ameno.
Do lado de fora de uma seção eleitoral na cidade de Uonuma, na montanhosa província de Niigata, o professor Kazushige Cho, de 54 anos, enfrentou temperaturas abaixo de zero e neve profunda para votar no Partido Liberal Democrata de Takaichi.
“Parece que ela está criando um senso de direção — como se o país inteiro estivesse se unindo e avançando junto. Isso realmente faz sentido para mim”, disse ele.
Takaichi prometeu a seus eleitores suspender o imposto sobre vendas de 8% sobre alimentos para ajudar as famílias a lidar com a alta dos preços.
A promessa preocupa investidores preocupados com a forma como o país, que tem o maior endividamento entre as economias avançadas, financiará o plano.
“Os planos dela para o corte do imposto sobre o consumo deixam grandes pontos de interrogação sobre o financiamento e sobre como ela pretende fazer a conta fechar”, disse Chris Scicluna, chefe de pesquisa da Daiwa Capital Markets Europe, em Londres.
A moradora de Niigata Mineko Mori, de 74 anos, caminhando pela neve com seu cachorro, disse temer que os cortes de impostos de Takaichi possam impor um fardo ainda maior às gerações futuras.
Apoiadores agitam bandeiras nacionais japonesasem um evento de campanha eleitoral no primeiro dia de campanha para a eleição antecipada de 8 de fevereiro, em Tóquio, Japão, 27 de janeiro de 2026
Kim Kyung-Hoon

