Os governos da Alemanha e da França emitiram notas oficiais nesta semana condenando as declarações da relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, que teria se referido a Israel como um “inimigo comum” que precisa ser combatido por uma suposta “frente unificada”. Ambos os países consideram a fala incompatível com o mandato da relatora.

Para Berlim, a declaração de Albanese “relativiza o antissemitismo e deslegitima o direito de existência do Estado de Israel”. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha afirmou que a relatora “violou o princípio básico de neutralidade e objetividade esperado de um mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU”.

Já a França, por meio de seu Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, classificou as palavras como “inaceitáveis” e pediu que Albanese renuncie ao cargo ou seja removida. “Tais declarações alimentam tensões e não contribuem para a paz e a estabilidade na região”, diz a nota.

Esta não é a primeira vez que Albanese enfrenta reações internacionais. Desde que assumiu o mandato, em 2022, suas declarações geraram controvérsias. Em 2024, ela já havia sido criticada por comentários sobre os ataques de 7 de outubro, quando afirmou que a resposta palestina “não aconteceu no vácuo”. Alemanha e França, assim como Estados Unidos e Reino Unido, já haviam se distanciado de seu relatório.

Israel, por sua vez, saudou o posicionamento europeu. O Ministério das Relações Exteriores israelense reiterou o pedido para que o secretário-geral da ONU, António Guterres, tome providências imediatas.

A relatora ainda não se pronunciou oficialmente sobre os pedidos de renúncia. A expectativa é que o assunto seja debatido nas próximas sessões do Conselho de Direitos Humanos em Genebra.