Em comunicado lido na rádio nacional, militares do exército da Guiné-Bissau anunciaram ter assumido o controle do país, depondo o presidente e o primeiro-ministro. A ação ocorre semanas após uma eleição presidencial marcada por denúncias de fraude e forte contestação por parte da oposição.

O país da África Ocidental viveu semanas de tensão crescente. A oposição rejeitou os resultados oficiais, apontando irregularidades no processo eleitoral. Protestos tomaram as ruas da capital, Bissau, e foram reprimidos com violência. Diante do impasse político, os militares afirmaram ter intervido para "restaurar a ordem e a estabilidade nacional".

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenou veementemente a tomada de poder por meios inconstitucionais e exigiu o retorno imediato à ordem democrática. A União Africana e as Nações Unidas também manifestaram preocupação e pediram contenção a todas as partes. Os Estados Unidos e a União Europeia reiteraram seu apoio ao Estado de direito e à realização de eleições livres.

Guiné-Bissau tem um longo histórico de instabilidade política e golpes militares desde sua independência, em 1974. O país enfrenta enormes desafios econômicos e sociais, e a comunidade internacional observa com apreensão mais este capítulo de crise. Os militares anunciaram a formação de um Conselho Nacional de Transição, mas não detalharam prazos para a realização de novas eleições.

A situação permanece incerta. Enquanto a população aguarda com apreensão os próximos desdobramentos, organizações internacionais pressionam por uma saída negociada que evite um agravamento da crise humanitária na região.