O Brasil e um grupo de países aliados decidiram não convidar os Estados Unidos para uma reunião sobre democracia realizada à margem da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O encontro, organizado por nações que defendem uma agenda de fortalecimento democrático, ocorre em meio a tensões diplomáticas crescentes entre Washington e capitais ao redor do mundo.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela reportagem, a exclusão dos EUA reflete a insatisfação de diversos governos com o que consideram um retrocesso democrático no país, especialmente após os eventos de 6 de janeiro de 2021 e as recentes decisões da Suprema Corte que restringiram direitos civis. Países como França, Alemanha, Canadá e Japão estariam entre os participantes, enquanto a Rússia e a China também não foram convidadas, em uma tentativa de focar em nações consideradas democracias plenas.
O Brasil, que assume a liderança do encontro, busca reafirmar seu papel como ator global na defesa da democracia. O Itamaraty não se pronunciou oficialmente, mas nos bastidores a decisão é vista como um recado ao governo Trump, que tem adotado uma postura crítica a organismos multilaterais e acordos internacionais.
A reunião deve gerar uma declaração conjunta reafirmando compromissos com eleições livres, estado de direito e liberdade de imprensa. A ausência americana, no entanto, levanta dúvidas sobre a capacidade do evento de produzir avanços concretos em um cenário geopolítico cada vez mais fragmentado.