O Brasil assume a presidência rotativa do Brics em um momento de tensões geopolíticas crescentes. A cúpula deste ano, sediada em território brasileiro, ocorre em meio a pressões para que o bloco — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — não se alinhe explicitamente a uma postura antiocidental. O desafio do governo brasileiro será equilibrar os interesses dos membros históricos e dos novos integrantes sem comprometer as relações com o Ocidente. A expectativa é que temas como reforma das instituições financeiras internacionais, comércio multilateral e transição energética dominem a agenda.

O Brics, que recentemente expandiu sua composição com a entrada de novas nações, busca afirmar-se como um contraponto à ordem global liderada por Estados Unidos e Europa. No entanto, o Brasil, tradicionalmente pragmático em sua política externa, tenta evitar que o grupo adote uma retórica radical contra o Ocidente. A cúpula será um teste para a diplomacia brasileira, que precisa demonstrar liderança sem provocar rupturas desnecessárias. Especialistas apontam que a aproximação do Brasil com a China e a Rússia, sem romper com parceiros ocidentais, será o ponto central das discussões.

O encontro também deve abordar questões como a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a desdolarização do comércio entre os membros e a cooperação em ciência e tecnologia. A expectativa é que o Brasil, ao sediar a cúpula, reforce sua posição como ator global relevante, mas o caminho para conciliar os diferentes interesses do bloco segue cheio de desafios.