Venezuela afirma que vai denunciar EUA na ONU após Trump confirmar operações da CIA

Milhares de militares americanos, além de navios e aeronaves dos EUA, estão atualmente estacionados no Caribe, enquanto cresce a tensão entre Estados Unidos e Venezuela.

Donald Trump confirmou na quarta-feira (15) que autorizou a agência de inteligência CIA a conduzir “operações secretas” dentro da Venezuela — e disse que estava considerando ataques a cartéis de drogas no país.

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Forças dos EUA já realizaram pelo menos cinco ataques a barcos suspeitos de transportar drogas no Caribe, perto da costa venezuelana, nas últimas semanas, matando 27 pessoas.

A Casa Branca afirma estar comandando um esforço para reprimir o narcotráfico na região e acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar o Cartel de los Soles, grupo classificado como organização narcoterrorista.

O destróier USS Sampson na Cidade do Panamá, Panamá, em 2 de setembro de 2025

Anadolu via Getty Images/BBC

Falando no Salão Oval, na Casa Branca, Trump disse que os EUA “estão analisando operações em terra” enquanto consideram novos ataques na região.

Segundo a CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos, atualmente há cerca de 10.000 soldados americanos posicionados no Caribe, em navios ou em terra em Porto Rico.

A Marinha americana também enviou, desde agosto, ao menos oito navios de guerra e um submarino para as proximidades da Venezuela, de acordo com a imprensa americana.

O destróier USS Sampson, o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima e o destróier de mísseis guiados USS Gravely foram localizados na região.

Em setembro, Trump, ordenou o envio de 10 jatos F-35 para Porto Rico. Os caças têm mais de 10 metros de envergadura e podem alcançar uma velocidade máxima de aproximadamente 1953 km/h em altitude.

O submarino de propulsão nuclear USS Newport News e o cruzador de mísseis guiados USS Erie também foram enviados pelos EUA na mesma época.

Ainda foram divulgadas informações sobre aeronaves de reconhecimento P-8 dos EUA no Caribe.

O destróier de mísseis guiados USS Gravely da Marinha dos EUA atracado em Porto Rico em 11 de setembro de 2025

Getty Images/BBC

Escalada entre EUA e Venezuela

O aumento da capacidade militar americano no Caribe acontece em um momento de escalada entre Estados Unidos e Venezuela.

Trump fez da luta contra o tráfico de drogas uma prioridade e, em julho, assinou uma diretriz secreta para permitir que as forças armadas dos EUA atacassem os cartéis de drogas latino-americanos que ele define como grupos “terroristas”.

No mesmo mês, Washington estabeleceu que há uma organização “terrorista” na Venezuela chamada Cartel de los Soles, chefiada por Maduro e outras autoridades venezuelanas de alto escalão, conectada a outros grupos descritos da mesma forma, como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.

No início de agosto, o governo Trump aumentou para US$ 50 milhões sua recompensa por informações que levem à captura de Maduro.

Em um memorando vazado e enviado recentemente a parlamentares americanos, o governo Trump afirmou ter determinado seu envolvimento em um “conflito armado não internacional” com organizações de narcotráfico.

No ataque mais recente dos EUA, na terça-feira (14), seis pessoas foram mortas quando um barco foi alvo próximo à costa venezuelana.

Na rede Truth Social, Trump afirmou que “a inteligência confirmou que a embarcação estava traficando narcóticos, estava associada a redes narcoterroristas ilícitas e transitava por um corredor conhecido de tráfico de drogas.”

Como ocorreu em ataques anteriores, autoridades dos EUA não especificaram qual organização de tráfico de drogas acreditavam estar operando o barco, nem quem eram as pessoas a bordo.

Um jato F-35A durante uma missão de treinamento em 2016

Bloomberg via Getty Images/BBC

Nesta quarta (15), Trump confirmou que autorizou a agência de inteligência CIA a conduzir “operações secretas” dentro da Venezuela

De acordo com o jornal The New York Times, a autorização de Trump permitiria que a CIA realize operações de forma unilateral ou como parte de qualquer atividade militar mais ampla dos EUA.

Ainda não se sabe se a CIA está planejando operações na Venezuela, ou se esses planos estão sendo mantidos apenas como contingência.

Falando com repórteres no Salão Oval, ao lado do diretor do FBI, Kash Patel, e da procuradora-geral, Pam Bondi, Trump foi questionado sobre a reportagem do New York Times.

“Autorizei por duas razões, na verdade”, disse ele. “Número um: eles [Venezuela] esvaziaram suas prisões e enviaram [os presos] para os EUA.”

Ele acrescentou: “E a outra coisa são as drogas. Recebemos muitas drogas vindo da Venezuela, e grande parte das drogas venezuelanas entram pelo mar, então você precisa ver isso, mas também vamos detê-las pela terra.”

O presidente se recusou a responder quando perguntado se a autorização à CIA permitiria à agência derrubar Maduro.

(Com reportagem de Ione Wells e Bernd Debusmann Jr, da BBC News)