Católicos, segundo maior grupo religioso dos EUA, devem perder posição para os sem religião até 2050
Os católicos formam atualmente o segundo maior grupo religioso nos Estados Unidos, atrás apenas dos protestantes. No entanto, projeções demográficas indicam que essa posição pode ser ocupada pelos chamados “sem religião” (nones) até meados do século XXI. O fenômeno reflete uma tendência global de secularização, mas ganha contornos particulares na sociedade americana.
Nas últimas décadas, a proporção de americanos que se declaram sem filiação religiosa cresceu de forma consistente. Enquanto os católicos mantêm uma base expressiva — impulsionada principalmente pela imigração hispânica —, o grupo dos não afiliados já supera os católicos em faixas etárias mais jovens. Entre adultos com menos de 30 anos, os sem religião são o maior segmento, o que sinaliza uma mudança estrutural de longo prazo.
Estudos demográficos apontam que, se as tendências atuais se mantiverem, os sem religião poderão ultrapassar numericamente os católicos ainda antes de 2050. Isso não significaria o desaparecimento do catolicismo nos EUA, mas uma reconfiguração do panorama religioso, com implicações políticas, culturais e sociais.
Diversos fatores explicam esse movimento: o afastamento das instituições religiosas por parte das novas gerações, o aumento do número de pessoas que cresceram sem religião e a diminuição da taxa de retenção entre os que foram criados em lares católicos. Ao mesmo tempo, o crescimento de outras religiões, como o islamismo e o hinduísmo, contribui para a diversificação do campo religioso americano.
Embora as projeções variem conforme a metodologia e as hipóteses consideradas, o consenso entre analistas é que a tendência de queda da afiliação religiosa institucional deve continuar. Para os católicos, o desafio se concentra em manter a coesão de uma comunidade cada vez mais diversa e em diálogo com uma sociedade cada vez mais secular.