O governo cubano anunciou um pacote de medidas emergenciais para enfrentar a grave escassez de combustíveis que afeta o país. Sob o argumento de que o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, especialmente durante o governo de Donald Trump, se intensificou, as autoridades decidiram racionalizar a distribuição e permitir a participação do setor privado na importação de petróleo e derivados. A decisão representa uma das maiores inflexões na política energética da ilha nos últimos anos.
O aperto do bloqueio e a crise energética
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, as sanções contra Cuba foram endurecidas, dificultando a chegada de petróleo venezuelano e de outros parceiros comerciais. A ilha, que já enfrenta uma profunda crise econômica, viu seus estoques de combustível diminuírem drasticamente. Relatos de apagões e filas quilométricas em postos de gasolina se tornaram comuns nas províncias cubanas, gerando descontentamento popular e pressão sobre o governo de Miguel Díaz-Canel.
A infraestrutura energética cubana, composta por usinas térmicas envelhecidas, depende quase que exclusivamente de óleo importado para gerar eletricidade. Com a redução dos embarques, o governo foi forçado a decretar medidas drásticas.
Descentralização das importações: uma mudança histórica
Uma das principais novidades anunciadas pelo Ministério de Energia e Minas de Cuba é a permissão para que empresas privadas, cooperativas e até mesmo pessoas físicas possam importar combustível diretamente. Antes, o monopólio das importações era exclusividade da estatal Cubapetróleo (CUPET). A medida visa contornar as sanções financeiras que dificultam as transações do governo cubano no exterior, permitindo que pequenos e médios empreendedores busquem alternativas no mercado internacional.
“Para tentar contornar o bloqueio imposto por Trump, o governo anunciou que vai descentralizar a importação de combustíveis, permitindo que agentes econômicos não estatais também possam adquirir combustível no mercado internacional. A expectativa é que isso alivie a pressão sobre o Estado e ajude a manter o setor produtivo em funcionamento”, destaca a análise do Observando o Mundo.
Racionamento doméstico e prioridades
No âmbito doméstico, o racionamento será implementado de forma escalonada. Postos de gasolina terão horários de funcionamento reduzidos e cotas diárias por veículo. Os transportes públicos, serviços de saúde, segurança e coleta de lixo terão prioridade no abastecimento.
O governo também lançou um apelo à população para reduzir o consumo voluntário, incentivando o uso de bicicletas, transportes coletivos e a otimização das rotas de trabalho. Em algumas províncias, já se observa a adoção de um sistema de “dia de circulação” para veículos particulares, similar ao rodízio adotado em grandes cidades brasileiras.
Impacto na agricultura e no turismo
Dois setores-chave da economia cubana são severamente afetados pela crise de combustíveis. A agricultura, que depende de tratores, colheitadeiras e transporte para escoar a produção, vê o risco de colheitas perdidas no campo. O turismo, vital para a entrada de divisas, sofre com a redução de voos internacionais e a dificuldade de locomoção dos visitantes dentro da ilha.
Pequenos agricultores e donos de paladares (restaurantes privados) relatam dificuldades para manter suas operações. O mercado negro de combustíveis, embora ilegal, tornou-se uma realidade para muitos que precisam trabalhar e não encontram gasolina nos postos oficiais.
Reações internacionais e busca por aliados
Enquanto os EUA mantêm a pressão, Cuba busca fortalecer seus laços com aliados tradicionais. A Venezuela, apesar de suas próprias dificuldades, continua a enviar carregamentos de petróleo. A Rússia e a China têm sido fontes de investimento em infraestrutura energética, incluindo a modernização de usinas térmicas e a instalação de parques solares.
A comunidade internacional observa com atenção o desenrolar da crise. Organizações humanitárias alertam para o agravamento da situação social na ilha, enquanto países da América Latina pedem um diálogo construtivo entre Havana e Washington.
Perspectivas futuras
A médio e longo prazo, Cuba aposta na transição energética como solução definitiva. O governo tem incentivado a instalação de painéis solares em residências e empresas, além de pequenas centrais eólicas. No entanto, o alto custo inicial e a falta de financiamento são barreiras significativas.
Por enquanto, a população cubana se prepara para um período de escassez. O racionamento de combustíveis, combinado com os cortes de energia elétrica já frequentes, testa a resiliência de um povo que há décadas enfrenta adversidades econômicas sob o peso do embargo norte-americano.
Perguntas frequentes (FAQ)
Por que Cuba está racionando combustíveis?
O racionamento é uma resposta direta ao agravamento do bloqueio econômico dos EUA, que dificultou a importação de petróleo e derivados, aliado à crise na infraestrutura energética do país.
Como o novo sistema de importação vai funcionar?
O governo vai permitir que empresas privadas e cooperativas importem combustível diretamente, sem a intermediação da estatal CUPET, como forma de contornar as sanções financeiras internacionais.
Quanto tempo deve durar o racionamento?
Não há previsão oficial. O governo cubano afirmou que as medidas serão mantidas enquanto persistirem as dificuldades de abastecimento causadas pelo bloqueio.