O ex-presidente equatoriano Rafael Correa voltou a criticar o que considera uma postura seletiva da comunidade internacional em relação à transparência eleitoral na América Latina. "É dupla moral apontar fraude na Venezuela, mas não no Equador", declarou Correa, em referência às frequentes denúncias de irregularidades nas eleições venezuelanas e ao silêncio relativo sobre situações semelhantes em outros países da região.
Correa, que liderou o Equador por uma década, sempre defendeu que os padrões de avaliação democrática são aplicados de forma desigual. Para ele, potências estrangeiras e organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) agem movidos por interesses geopolíticos, e não por um compromisso genuíno com a democracia.
No caso do Equador, denúncias de fraude nas eleições que levaram à presidência Guillermo Lasso e posteriormente Daniel Noboa foram levantadas por setores da oposição, mas não tiveram o mesmo eco internacional que as críticas ao governo de Nicolás Maduro. Correa utiliza esse contraste para ilustrar sua tese de que existe uma "dupla moral" no tratamento dado a cada país.
Já os críticos do ex-presidente argumentam que a situação venezuelana é objetivamente mais grave, com prisão de opositores, controle estatal da mídia e ausência de garantias mínimas de competitividade eleitoral. Para eles, comparar os dois casos seria uma tentativa de relativizar a crise democrática na Venezuela.
Independentemente da posição ideológica, a frase de Correa provoca uma reflexão necessária sobre os critérios utilizados para julgar a legitimidade dos processos eleitorais. Em um mundo cada vez mais polarizado, acusações de duplo padrão são frequentes e merecem análise cuidadosa.
No Brasil e na América Latina, o debate sobre transparência eleitoral ganha contornos próprios, com cada país tendo suas particularidades. O Observando o Mundo acompanha esses temas para oferecer uma visão abrangente e plural.