A política de segurança pública implementada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, tem sido marcada por uma repressão dura contra gangues e criminosos. No entanto, famílias inteiras têm sido afetadas de maneira colateral, como no caso de uma mãe que perdeu um filho para a violência das ruas e viu o segundo ser preso durante as operações do governo.

Desde março de 2022, El Salvador vive sob regime de exceção, com suspensão de garantias constitucionais. As forças de segurança realizam prisões em massa, muitas vezes sem mandado judicial e com base em denúncias anônimas. Centenas de pessoas inocentes foram detidas e permanecem encarceradas por semanas ou meses.

A história dessa mulher anônima ilustra o dilema vivido por muitos salvadorenhos. Após perder um filho em um tiroteio entre gangues, ela viu o filho restante ser levado por agentes do Estado sob a acusação de pertencer a uma organização criminosa. A família alega que o jovem não tinha envolvimento com o crime e que sua prisão foi um erro das autoridades.

Organizações de direitos humanos denunciam que o governo Bukele utiliza a comoção pública para justificar medidas autoritárias. A prisão arbitrária de pessoas sem antecedentes criminais tornou-se comum. O caso dessa mãe ganhou repercussão internacional como exemplo dos excessos cometidos durante o estado de emergência.

Apesar das críticas, Bukele mantém altos índices de aprovação popular, sustentados pela redução drástica da taxa de homicídios. O preço pago por essa segurança, no entanto, inclui a violação de direitos fundamentais e o sofrimento de famílias que perderam entes queridos tanto para a violência urbana quanto para a mão pesada do Estado.

A situação expõe as complexidades de uma guerra contra o crime que não distingue culpados de inocentes. Enquanto o governo celebra números, histórias como a desta mãe revelam o custo humano de uma repressão sem limites.