O Japão, conhecido por sua longevidade, enfrenta uma face sombria do envelhecimento: idosos que morrem em casa sem que ninguém perceba, muitas vezes encontrados por familiares que também estavam exaustos ou doentes. O termo "kodokushi" (morte solitária) tornou-se parte do vocabulário cotidiano.
Com uma das maiores proporções de pessoas com mais de 65 anos do mundo, o país vê suas redes de apoio tradicionais se desfazerem. Filhos que migram para grandes cidades, mulheres que ingressam no mercado de trabalho e a redução do número de filhos fazem com que o cuidado dos idosos fique concentrado em poucos – frequentemente um cônjuge igualmente idoso ou um filho único sobrecarregado.
Casos de idosos encontrados dias ou semanas após a morte são cada vez mais comuns. A pandemia de covid-19 acentuou o isolamento, e muitos programas de assistência social não conseguem acompanhar a demanda. O estresse do cuidador familiar, aliado à falta de suporte público, leva a situações em que o idoso fica desassistido, mesmo morando com alguém.
O governo japonês tem investido em tecnologias de monitoramento remoto e visitas de agentes comunitários, mas a solução ainda é parcial. Especialistas apontam que a questão exige políticas integradas de saúde, habitação e assistência social, além de uma mudança cultural para valorizar o envelhecimento ativo e a solidariedade intergeracional.