A expressão "geração que não passará" ecoa as palavras bíblicas, mas encontrou no século XX um significado particular com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914. Aquela geração de jovens — soldados, artistas, intelectuais — foi marcada por um conflito que transformou para sempre a política, a sociedade e a cultura do mundo ocidental. Este artigo é a primeira parte de uma reflexão sobre o legado da Grande Guerra e as suas repercussões na contemporaneidade.

Em 28 de julho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em Sarajevo desencadeou uma reação em cadeia entre as potências europeias. Em poucas semanas, o continente estava em guerra. O que inicialmente se acreditou ser um conflito breve tornou-se uma guerra de trincheiras que durou quatro anos, ceifou milhões de vidas e redesenhou o mapa geopolítico mundial.

A geração que viveu o conflito testemunhou o colapso de quatro impérios — Austro-Húngaro, Otomano, Alemão e Russo — e o surgimento de novas ideologias e potências. A guerra também acelerou a entrada dos Estados Unidos como ator global e deixou feridas que contribuiriam para a Segunda Guerra Mundial.

Chamar aqueles homens e mulheres de "geração que não passará" significa reconhecer que a sua experiência e os seus traumas continuam vivos na memória coletiva. O impacto de 1914 não se restringiu ao campo de batalha: a arte, a literatura e o pensamento político jamais seriam os mesmos.

Este texto introdutório abre a discussão sobre um período que ainda hoje desperta interesse e debate. Acompanhe as próximas publicações para explorar em detalhe os desdobramentos históricos, sociais e culturais da Primeira Guerra Mundial.