Nicolás Maduro Moros assumiu a presidência da Venezuela em 2013 após a morte de Hugo Chávez, tornando-se o principal nome do chavismo na última década. Sua trajetória, no entanto, começou décadas antes, nos movimentos sindicais e na militância política de esquerda.
Ex-motorista de ônibus e líder sindical do Metrô de Caracas, Maduro foi um dos fundadores do Movimento Bolivariano Revolucionário (MBR-200) ainda nos anos 1980. Apoiou a tentativa de golpe de Estado liderada por Chávez em 1992 e, após a anistia, tornou-se deputado e, mais tarde, presidente da Assembleia Nacional. Como chanceler do governo Chávez, ganhou destaque internacional e consolidou alianças estratégicas com países como Cuba, Irã e Rússia. Em 2012, foi nomeado vice-presidente e, com o agravamento da saúde de Chávez, passou a ser visto como o sucessor natural do projeto bolivariano.
Eleito em 2013 por uma margem apertada contra Henrique Capriles, Maduro herdou uma economia fortemente dependente do petróleo e já em desaceleração. A queda abrupta dos preços do barril a partir de 2014 aprofundou a crise. A inflação disparou, a moeda local se desvalorizou e o país entrou em uma espiral de recessão. A oposição, que conquistou a maioria na Assembleia Nacional em 2015, passou a enfrentar um embate direto com o Executivo, resultando em uma crise institucional que atraiu a atenção global.
A crise humanitária se agravou com a escassez de alimentos, remédios e serviços básicos. Mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país, segundo a ONU, em um dos maiores êxodos migratórios da história recente da América Latina. Maduro atribui a crise a uma "guerra econômica" liderada pelos Estados Unidos e pela oposição interna, e mantém o controle sobre as Forças Armadas e os principais poderes do Estado.
Em 2024, Maduro foi reeleito em um processo eleitoral contestado internacionalmente. A oposição denunciou fraudes, e diversos países, incluindo os EUA e nações da União Europeia, não reconheceram o resultado. A mediação da Noruega e do Catar buscou avanços em acordos humanitários, mas a perspectiva de uma transição política ainda parece distante. O governo Maduro segue como um tema central nas relações hemisféricas e na política global, com desdobramentos que repercutem diretamente no Brasil e em toda a região.