O Papa Francisco minimizou recentemente as desavenças com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e negou que uma declaração sua sobre "tiranos" tivesse como alvo o líder republicano. Durante uma coletiva de imprensa a bordo do avião papal, Francisco afirmou que suas palavras foram tiradas de contexto e que nunca nomeia indivíduos em seus discursos públicos. "Critico sistemas que oprimem os pobres, não pessoas específicas", declarou, segundo a imprensa internacional.
A relação entre Francisco e Trump nunca foi amigável. O pontífice já criticou a construção do muro na fronteira dos EUA com o México e chamou a atenção para os perigos da xenofobia. Trump, por sua vez, classificou o Papa como "ingênuo" e usou as palavras de Francisco para criticar políticas de imigração. Apesar das diferenças, ambos encontraram-se em 2017 no Vaticano, em um encontro de cerca de 30 minutos que foi descrito como cordial.
A fala sobre "tiranos" ocorreu durante uma homilia na qual o Papa alertou contra líderes que se perpetuam no poder e silenciam a oposição. Imediatamente, veículos de imprensa associaram a declaração a Trump, especialmente por conta do contexto político americano e das eleições de 2024. No entanto, o Vaticano tratou de desmentir qualquer ligação direta, reiterando que o Papa não se refere a governantes específicos quando aborda temas gerais de justiça.
O episódio reacendeu o debate sobre o papel da Igreja Católica em temas políticos. Para analistas, a fala de Francisco reflete uma preocupação com o avanço do autoritarismo em diversas regiões, não apenas nos Estados Unidos. O pontífice já expressou opiniões semelhantes sobre líderes na Hungria, Polônia e Venezuela, sem nunca citá-los nominalmente.
No Brasil, a repercussão foi grande entre católicos e lideranças políticas. Enquanto setores conservadores criticaram a possível indireta a Trump, outros elogiaram a postura do Papa em defesa dos direitos humanos e dos imigrantes.
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