O número de mortos nos protestos que sacodem o Irã desde meados de setembro subiu para 648, de acordo com um novo balanço divulgado por organizações de direitos humanos que monitoram o país. O movimento Mulher, Vida, Liberdade, desencadeado pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral, evoluiu para o maior desafio ao governo do aiatolá Ali Khamenei em mais de quatro décadas.

O que começou como manifestações contra o uso obrigatório do hijab e a brutalidade das forças de segurança se transformou rapidamente em uma rejeição generalizada ao sistema teocrático iraniano. Multidões tomaram as ruas de Teerã, Shiraz, Isfahan, Mashhad e outras cidades importantes, exigindo o fim da República Islâmica. A resposta do regime foi implacável, com relatos de uso de força letal, prisões em massa e julgamentos sumários.

Uma análise aprofundada do mar de fundo político revela um regime profundamente dividido e uma sociedade civil sufocada, mas que encontrou no luto coletivo uma plataforma de resistência. As greves e os fechamentos de universidades se espalharam por todo o país. O balanço de 648 mortos, que continua a aumentar a cada nova contagem, é um testemunho sombrio da determinação do governo em se manter no poder a qualquer custo.

A comunidade internacional observa com atenção. Enquanto os Estados Unidos e a União Europeia impõem novas sanções e condenam a repressão, o Irã se aprofunda em seu isolamento. A crise expõe profundas fissuras na estrutura de poder iraniana e levanta questões sobre a sucessão de Khamenei e a viabilidade a longo prazo do modelo teocrático.

Para aprofundar seu entendimento sobre os conflitos no Oriente Médio e as transformações geopolíticas globais, convidamos você a explorar as seções de Notícias Mundiais e Política Internacional do Observando o Mundo.